quinta-feira, 6 de junho de 2019

Luis Lobo, 1º português em Estocolmo. Empenos, chocolate, psicanálise, dilema...

A maratona do ponto de vista de um atleta de baixa competição!

Treze maratonas concluídas, onze delas abaixo das três horas. Quando olho para a coluna lateral direita do blogue, onde estão as fotos das t-shirts com as medalhas, e respetivos tempos, ainda paro para pensar… Mas… A sério?!


Estocolmo 

Vou começar pela cidade. Quem foi a Helsínquia, como eu fui o ano passado, dá a sensação de déjà vu. Muitos sítios idênticos, a organização, o preço da cerveja, pessoal simpático, tudo no seu devido lugar. Estão a ver Marrakesh? Não tem nada a ver!!!
Só uma observação, não há dinheiro físico, moedas  e notas... Só em museus!
Fiquei intrigado com um parque de diversões que encontrei lá. Se tem sido antes da maratona… Se eu sentisse algum osso inteiro no corpo, tinha ido “morrer" um bocadinho naquelas torres. Mas não dava, os ossos estavam debilitados demais. Não fosse perder um fémur ou uma tíbia na descida… Parecendo que não, são peças que dão um certo jeito ao esqueleto!!!


A preparação 

Não me lembro de nada assim, e já tive planos de treinos atribulados, mas nada parecido.
Com o apanhar das canas, e limpeza do recinto, começo a arranjar culpados. Para ser sincero, culpado…
Saio inteiro de Marrakesh, a sacroilíaca esquerda que tanto me tinha apoquentado estava a dar-me descanso. O facto de ter corrido muito tempo com a dor, fez com que sacrificasse os músculos da coxa para proteger a articulação. Mas do alto da minha sabedoria, nada que uns dias de descanso não deixassem tudo cinco estrelas. Foi assim? É capaz de não ter sido!
Chego com dores a Mértola, e a confidenciar que ia apenas à caminhada, não ia forçar. E fui. Durante os primeiros dois km… O resto já se sabe, no pós trilhos, quinze dias sem correr. O que faço imediatamente a seguir? Uso novamente o meu "sábio" conhecimento, no tabuleiro da Ponte 25 de Abril. “Há duas semanas que não corro,  vou só experimentar e depois logo vejo”. No mesmo ritmo que comecei (muito alto), fiz toda a prova, com dores a sério a partir dos quinze km. O curioso é que, no outro dia não tinha dores. Aproveitei para descansar os ossos? Naaahhh, se não há dores, vamos aproveitar, vamos à carga. Até me cheguei a queixar de sobrecarga de km… Amigo, a fatura vem já a seguir… A cervical a dizer ao menino, se calhar é melhor reunires com o teu treinador, há muita coisa a ser mal feita… A velha rábula da manta curta. Se puxas para cobrir a cabeça, ficas com os pés destapados. Não deixei de treinar, mas nos entretantos  fui pôr os ossos no lugar. Tirei por completo a velocidade, zero treinos técnicos, muita corrida de descompressão. Chego a Lagos com ordem de não forçar. Não aconteceu… Não cumpri o que tinha acordado comigo, e tive ainda o desgaste extra da temperatura muito elevada. Nova semana de treinos com pinças. Ainda tinha o longo de trinta e cinco km para fazer. O treino mais importante do meu plano. Claro que tem que haver um equilíbrio no geral, coisa que estava a anos luz. Como é que correu? Muito, muito mal! Só batido pelos trinta e cinco da preparação para Lisboa 2014, uma infernal viagem ao meu Vietname. Casa, Castro Verde, Casa. Desta vez foi na minha suposta zona  de conforto. Quarteira, Vilamoura, Albufeira. Não foi infernal, mas foi muito ruim, mesmo. Como faltavam quinze dias, nada havia a fazer. Se fosse tentar recuperar tempo perdido, só piorava. Agarra-te a uma sapatilha e chora um pouco rapaz… Por essa falta de juízo!!! 
Já agora deixar uma nota para o último treino.
Treino de seis km que faço na véspera, na cidade da prova, sempre com a t-shirt da maratona do Porto 2015 (para nunca me esquecer o sítio, e o dia onde mais sofri nas corridas). Correu cinco estrelas. Ainda deu para fazer uma série e tudo!!! Nunca pior!


O título do post

Desta vez o título, Luis Lobo, o 1º português a terminar a maratona… Veio de fora, uma publicação da revista online de Atletismo. 
O que achei mais curioso? O meu nome por baixo de uma fotografia, numa notícia relacionada com corrida, em que o título inclui Etíopes… Tomem lá… Seus… Quenianos!!! Vá, a palavra "Quenianos", também está no corpo do texto...

Agora a sério, com a devida distância (muita, muita distância) que está o meu amadorismo, com a elite da corrida. Ver aquela conjugação de nomes, deu-me muita, muita vontade de rir. 

Fica a transcrição da notícia.
Luis Lobo foi o 1º português com 2h54m58s

Os etíopes dominaram a Maratona de Estocolmo disputada no passado sábado ao vencerem em masculinos e femininos. Os tempos dos vencedores ficaram longe das grandes marcas mundiais, numa prova que teve 12.351 classificados, dos quais, 3.555 do sexo feminino (28,8%).
Venceu Nigussie Sahlesilassie em 2h10m10s, seguido de três quenianos. O sueco Adhanom Abraha foi o primeiro europeu ao chegar em 6º lugar com 2h16m48s.
Luís Lobo foi o 1º português ao ser 184º classificado com 2h54m58s.
Em femininos, Aberash Fayesa venceu em 2h33m38s, seguida da japonesa Haruka Tamaguchi a 26 segundos e da sueca Mikaela Larsson a 2m54s. 25 atletas conseguiram tempos abaixo das três horas.
O/a atleta mais velho/a a completar a prova foi uma sueca do escalão +80 anos que fez 6h10m08s. Atrás dela, ainda ficaram mais cinco atletas.”


O percurso 

Aproveito o percurso  para comentar a notícia. “…ficaram longe das grandes marcas mundiais…”.
O percurso não é favorável a tempos rápidos, vou deixar a foto da altimetria. Das provas que concluí, só mesmo Helsínquia tinha mais dificuldade. Sei o que custa um minuto numa maratona. O atleta que ganhou, com o mesmo esforço fazia menos quatro minutos em Sevilha, por exemplo. Sim, não era na mesma nada parecido com o recorde do mundo. Mas Kipchoges, não estão aí ao virar da esquina a correr na “pista" em Berlim. As dificuldades para a elite, só valorizam os tempos dos coxos, como eu!


A organização 

Desde o levantar dos dorsais até que abandonei o Estádio Olímpico de Estocolmo, depois de terminar a prova, nada a apontar.
Os dorsais são imprimidos na hora, se não apareceres, não se gasta papel. Nunca tinha visto tal. Dez balcões de atendimento com as respetivas impressoras, zero tempo de espera, é só dizeres ao que vens…
A feira era mais ou menos do tamanho da Primark de Portimão (a de Helsínquia era mais pequena… Lembram -se? (Risos)).
Asics Stockholm Marathon. Qual era a única marca de equipamentos desportivos??? Pois com certeza, Asics. Com as Metaride em destaque. Garantem que é só calçar, elas fazem o resto, a pessoa até pode estar no sofá a ver televisão e a comer bolachas (“deslarguem” as bolachas, se faz favor). Estavam em promoção. Cá podemos comprar por 250 euros, na feira tinham um preço promocional de 260… Promoções suecas!!! Ainda estou curioso para ver como é que  a Adidas responde à Asics, e à Nike. Depois das Metaride e as Vaporfly 4% Flyknit, respectivamente. As Ultraboost já não chega rapazes. Possivelmente vem aí alguma coisa feita por alienígenas,  só pode!!!
No saco promocional da maratona vinha a entrada na pasta party. Muito bem organizada à  porta do estádio Olímpico. Muita qualidade na papinha. Só já faltava correr…


A prova

Ao meio dia… Pessoal da Suécia, hora de almoço, não percebo… Está bem, já que tem que ser!!!
Com a preparação que relatei, a coisa prometia. Apesar da hora, estava uma temperatura espetacular, não era por aí que ia correr mal. Ainda mal tinha começado, ao km três, uma taquicardia. Em maratonas apenas tinha acontecido em Lisboa 2013, na primeira de todas. Dez minutos à espera em Cascais ao km cinco. Desta vez em pouco mais de dois minutos estabilizou. Volto à pista, numa reta, vejo ao longe o balão das três horas. A sério Luis!!!
Situação que não era experienciada há muitos anos… Olha, é uma referência. Ao km sete estava no grupo, durante uns longos vinte segundos ainda pensei. “E se eu fosse aqui com o pessoal?! Naaahhh, siga. Corrida mesmo de trás para a frente, sem nunca olhar ao relógio. Passo ao pórtico da meia maratona, aí sou obrigado a ver o tempo, 1:27, já tinha ganho três minutos ao balão. Na segunda metade levei 1:27:58, mais culpa da altimetria que publiquei, do que quebra da minha parte. A segunda meia maratona era efetivamente mais difícil.
Como é que teria sido sem a taquicardia? Isso agora não interessa nada. Durante a recuperação no terreno, recorri à minha história nas maratonas, onde já passei muitas dificuldades, recorri a todos aqueles que torcem mesmo por mim, é muita gente, e olhem que eu sei quem são… E fui por ali estrada fora...
Sozinho, não dava!!! Muito obrigado!


A taquicardia 

Só vou voltar a falar disto, porque há muito tempo que não se passava. Não vá algum dos leitores que vão aparecendo, pensar que é algo de grave.
Não há dois casos iguais, a minha taquicardia acompanha-me desde criança. Não está diretamente ligada ao esforço. É um impulso elétrico que faz os batimentos  cardíacos aumentarem mais cento e cinquenta batidas do que o normal. É muito comum num baixar ou levantar brusco. A diferença que acontece, entre quando estou parado, ou a correr, é no tempo que pode levar a estabilizar. Se for parado, dez segundos de serenidade são suficientes. Na corrida, como as pulsações estão mais altas, pode demorar um pouco mais. Fica o exemplo. Estocolmo, dois minutos, Lisboa 2013, dez minutos. Um dos motivos de não fazer mais provas de trail é esse. A diversidade de pisos e respetivas mudanças de velocidade, são meio caminho andado para as taquicardias. E depois tenho que estar ali à espera, à espera… Como diz o meu cardiologista. “Você pode morrer de qualquer coisa, não lhe posso garantir que não é do coração, mas não  tem que ser por causa dessas taquicardias”. E eu respondo-lhe. ”SE... Eu chegar a morrer!!!”
Já tenho registos de outras subidas repentinas das pulsações, mas não tem bem a ver com corrida…


Ferrero Rocher e Mon Cheri

Vou utilizar o  que costumam dizer nas publicidades destes dois chocolates e fazer um paralelismo.
Vem aí o Verão, o Ferrero Rocher e o Mon Cheri vão desaparecer das prateleiras dos supermercados, voltam quando o tempo estiver mais frio. Pois, vem aí o Verão, e eu vou desaparecer de provas até que venha o frio. Corridas a sério, se for caso disso, só no Outono. Um período de merecido descanso. Com corrida à mistura, mas corrida para descansar!
As marcas de chocolate utilizadas, foi só para efeitos de escrita. Porque a minha marca preferida, é Lindt. Com mais ou menos percentagem de cacau, prefiro com mais, mas Lindt. E não é que encontrei uma diversidadezita em Estocolmo…



A consciência e o dilema 

Em criança era comum nas bandas desenhadas, aparecerem nas ilustrações  à nossa consciência. Um anjinho e um diabinho.
No dia a dia, tento que haja um empate de forças. Vá,  nem sempre consigo... Mas tento!!! Quando calço as sapatilhas para participar numa prova intermédia, dentro do plano da maratona, tenho um anjinho e uma “matilha" de diabinhos. Eu não faço ideia de como é que cheguei aqui. Mas pelo menos estou a tentar perceber o que levou a este "trauma". 
Traço uma linha do que vou fazer, ou não, durante a prova. Dura mais ou menos, pouco mais que nada. Ainda mal comecei, sinto os tridentes da matilha a picar-me as orelhas e a arranjar mil desculpas para correr sem reservas. “Não há problema, depois descansas"… “Assim ficas a saber a  gravidade da lesão”… “Vai-se a ver e até ajuda na preparação”… Etc, etc, etc, etc, etc… O exagero de eteceteras, é porque arranjo mesmo mil desculpas a favor dos diabinhos. Mil desculpas!
E é aqui que surge o dilema.
Recorro à psicanálise, faço uma catarse, de forma a ir à essência da questão. Descubro o problema, faço um reset e começo tudo de novo? Dava-me imenso jeito ter anjinhos extra ali à mão de semear, sempre que estou, nessas provas intermédias.
Mas depois há  o reverso da moeda... O que  me leva a ter muitas dúvidas sobre o que fazer...
Para mim, o grande, grande problema... É  que eu nos dias das maratonas, a minha distância de eleição... Preciso imenso do diabo que tenho dentro de mim…

Acho que já escrevi sobre isso, mas nunca é demais lembrar. Atenção… A catarse… Não é aquilo, que os macacos fazem uns aos outros!!!

Boas corridas!



sábado, 25 de maio de 2019

Copy Paste... Naaahhh, são os novos posts!!!

A maratona do ponto de vista de um atleta de baixa competição!
Existe procrastinação de publicações neste blogue? Naaahh... Nem pensar… Que conversa é essa!?!? 

Desta vez, ao copy paste do Instagram, ainda vou juntar umas linhas de copianço do Facebook. Isto não é preguiça, são os novos tempos, os novos posts…


"A fase tartaruga… 
Não há plano de treinos em que não apareça. Com o novo acumular de kms, os sapatos custam a descolar do alcatrão. Note-se, treino com o melhor calçado, Nimbus e Ultraboost. O problema não é por aí… É surgir recorrentemente a grande pergunta. Mas qual foi o corpo que correu doze maratonas naqueles ritmos?!?! 
Decidi trazer ao treino de recuperação, hoje dia de Páscoa, companhia para aferir a forma. Recriando uma fábula já muito antiga. O Lobo e a Tartaruga.
Resumindo, desta vez, não ganhou a tartaruga. Deve ser porque os bichos voltaram há pouco tempo da hibernação, ainda estão fraquitos. Voltaram é como quem diz, Tobias, o Mestre Oogway, é uma tartaruga que se recusa a hibernar. Não come, mas não hiberna!!! A Tigreza e a Víbora fazem uma vida normal de tartarugas. Acho que o Mestre Oogway, na escola, faltou à cadeira da hibernação!!! Qualquer parecença dos nomes das nossas tartarugas com o filme, O Panda do Kung Fu, é mera coincidência… Não é Bárbara?!?! 
Esta fábula era mesmo com um Lobo?!... Onde terei deixado os comprimidos!?..."
In Instagram 21/4/19
Com a pujança que os meninos estão atualmente, e o estado do Lobo, que por acaso é branco, o resultado seria outro, mas de certeza!!!
(“Lobo Branco”. Mas que raio de fim foi aquele da Guerra dos Tronos?!)



Dia 23 de Abril, o dia mais importante do ano!!!
Já tinha dito isto este ano, dia 21 de Janeiro… Pois é, não é esquecimento, é ser pai!
Que privilégio dividir o tempo com estes “meninos”. Que privilégio!!!
Estavam 20 motards a cantar os parabéns em uníssono, do meu lado. O rapaz ficou envergonhado?! Quem é que sabe?!


"Quisemos retribuir o gesto da visita do pessoal do Norte à São Silvestre A-do-Neves. Conseguimos? Acho que sim!
Contando com a colaboração da Câmara Municipal de Almodôvar, que nos cedeu uma carrinha de nove lugares, e com o voluntariado do Hélio. Que fez as despesas de condução, sem qualquer encargo extra. Lá fomos participar nos trilhos do Perneta, em Santa Maria de Lamas. 
Participação cinco estrelas, com o pessoal da corrida. “Os Pernetas do Alentejo”, a fazer terceiro lugar no escalão por equipas na distância mais curta. Mais do que a classificação, fica o convívio entre mais de mil atletas do trail. Muito bom!
Em meu nome, que estava na organização da prova, e em nome de todos, deixar uma palavra de agradecimento à  Câmara Municipal de Almodôvar. Muito obrigado!"
In Facebook 1/5/19
Trilhos do Perneta 3.6, edição Bininho!
Fiz apenas 18 km de batedor de  percurso, ainda por cima na zona que tem as melhores vistas, que nascer do sol… 
Vou confessar, às vezes, mesmo que não faça muita falta, eu ponho mais uma fita ou outra. Chamo-lhe as “fitas de companhia”. Quem faz trilhos, sabe do que estou a falar…
Que qualidade de organização que a minha família apresentou a mais de mil participantes. Um orgulho imenso nesta gente. Faltam adjetivos, OS MAIORES!

Em relação à “expedição” alentejana ao Norte, o que dizer… Como é óbvio correu muito bem. Digamos que não foi surpresa. Eu é que tratei da organização e logística da coisa. A modéstia é uma das minhas qualidades…


"31ª Meia Maratona de Lagos.
As pernas andam pesadas… A carga tem sido muita…
Nunca tinha participado na meia maratona de Lagos. Percurso muito duro. Hoje teve ainda mais uma dificuldade extra… Muito calor!!! Há muito tempo que não fazia uma prova de estrada a sul. Aqui há sempre aquela preocupação dos atletas em saberem a minha data de nascimento… Já me tinha esquecido disso!!! 12º da geral, e 2º do escalão!
Faltam duas semanas de treino intenso para Asics Stockholm Marathon. A última… É de relax… Não conta!!!"
In Instagram 12/5/19
Tentei ao máximo não me desgastar, o clima não ajudou, muito calor!


"E não é que isto às vezes não é só corrida...
O ano passado corremos lado a lado em Aveiro, Cortegaça. 
Este ano, sem nada combinado, no mesmo fim de semana, corremos junto a 31ª Meia Maratona Internacional de Lagos. São só 600 kms de distância…
Um irmão que encontrei nas corridas. O Fontes, é mesmo o maior!!!
O 2º lugar é do escalão… Da geral foi 12º!
Ainda vimos por lá pessoal conhecido e tudo…"
In Facebook 12/5/19
Foi uma surpresa muito agradável. Já os fãs, acho que já os tinha encontrado em Amesterdão. Pessoal que anda por aí a acompanhar as corridas...



"Quem passa muito tempo dentro de um carro, vê muita placa… Mas, esta, em milhões de kms a conduzir, é ímpar... É o must!!! É feita em pvc, não é uma impressão rasca em papel. Possivelmente alguém que viu os animais, sem dono específico, a deambular. Os gatos que sobreviveram, porque já está lá há umas semanas, nem sabem o que devem a esta alma. Sim, porque isto foi feito por sensibilidade e afeto, não por brincadeira. Entre Loulé e São Brás de Alportel. 
Acho que é a zona do mundo, com mais multas de velocidade por metro quadrado. Onde passam umas boas centenas de carros nas primeiras horas da manhã, e a maior parte do percurso é 50 kms de velocidade máxima. 
Isto faz acreditar num mundo melhor!!!"
In Instagram 17/5/19

O que é que isto tem a ver com a corrida? Nadaaa…Isto é um docinho!!!


"Quantos kms são de Quarteira, à rotunda das minhocas? São… Um empeno do caraças… A juntar às dificuldades do percurso, um vento… Vai fazer energia eólica para o raio que te parta!!!.
Quis trazer o treino mais longo do plano, para a minha zona de conforto… Não houve conforto, só sofrimento… Mas muito… Já passou!!!.
Gostava de ter estado na reunião que decidiu pôr esta “instalação” na rotunda. Devem ter começado por Touros (dada a proximidade da Praça), alguém sugeriu Leões, outros Águias, outros Dragões. Por fim, e para não ferir susceptibilidades, deram a palavra a um puto ranhoso, de sete ou oito anos que se encontrava por ali, e ele decidiu. 
Nesta rotunda, ficam duas imponentes minhocas!!! (Isto é mera ficção… Deve haver uma justificação… Eu decidi não averiguar… Escrevi a minha!!!).
Ai que empeno…"
In Instagram 18/5/19
Mas que valente empeno!!!


"Eis que chegou ao fim o plano. A acabar com uma corrida recreativa a Almodôvar. Deu para parar e tudo. Tirar uma foto junto a um ponto de abastecimento fixo.
A preparação foi feita aos soluços, não deu para fazer um plano com pés e cabeça. Muitas lesões à mistura. Mas consegui chegar inteiro à última semana. O objetivo não deixa de ser correr abaixo das três horas, será o que for!!!"
In Instagram, hoje!
Por conta das coincidências, as últimas três maratonas tiveram uma meia maratona no fim de semana de véspera. Helsínquia (Meia Maratona da Cortegaça), Amesterdão (Meia Maratona da Ponte Vasco da Gama), Marrakesh (Meia Maratona Manuela Machado, em Viana do Castelo). Desta vez tive que ir remexer nos arquivos, para saber o que fazia antes. Curiosamente, quer em Roma, quer em Barcelona, fiz o mesmo percurso. Os 18 km com passagem pelo centro de Almodôvar em ritmo festivo.
Como é óbvio… Sai mais um copy paste… Só que desta vez parei para a foto, junto à um ponto de água que mandei pôr no percurso. Fica ao km 8 na ida, e ao km 10 no regresso. Mandei… Então não mandei!!! (Risos!!!)


Ainda a comemorar o Campeonato Nacional, algo inesperado. O Porto perdeu gás na reta final e o Benfica aproveitou!
Joga-se hoje a final da Taça de Portugal. Gosto de pessoas do Sporting, gosto de pessoas do FC Porto. Vou ficar contente por quem ganhar. Quem me conhece sabe que é sem demagogia.



Uma preparação cheia de altos e (muitos) baixos.
Trilhos de Mértola, lesão, Meia Maratona de Lisboa, bom período de treinos, lesão, lesão, Trilhos do Perneta, Meia Maratona de Lagos. Basicamente não fiz um único treino técnico, foi o possível. Não me vou pôr a especificar as mazelas e respetivas curas… Não vá alguém ler isto, e pensar que está a ler a bula do Ibuprofeno…
O objetivo central é correr abaixo do Cabo das Tormentas dos atletas amadores, sub 3:00. Sem stress.


Pronto, a crioterapia que fiz hoje, dá para recuperar de todos os km do plano…
Vou mostrar como o atletismo, pode estar ligado, ao ir à água GELADA.
Cem a duzentos metros a trote no bater das ondas na transversal, direcionar Marrocos, skips baixos, skips médios, skips altos, mergulho profundo, cem metros livres até à toalha!!! Não é preciso agradecer…
Descobri que as galinhas algarvias gostam de amendoins, cerveja não ofereci, não havia stock…
A bola de Berlim… Não, não consumi, já nem me lembro da última vez. Se calhar até vou aproveitar para fazer uma piada fácil, dado o contexto onde estou a escrever.
Na última vez que eu consumi uma bola de Berlim, ainda o Mar Morto, estava apenas doente…

Boas corridas



domingo, 14 de abril de 2019

Isto às vezes, são figos secos e amêndoas...

A maratona do ponto de vista de um atleta de baixa competição!
Pois… A preguiça é uma coisa… Convinha atualizar o blogue, mas então… Mais uma vez vou tirar excertos do Instagram. Só para não ter tanto sentimento de culpa!!!
Uma boa notícia é que já não cheiro a camelo, nada que dois ou três banhos nos últimos meses não resolvesse…
Maneiras que começou nova preparação. Asics Stockholm Marathon. Nos entretantos tem dado para contar histórias com base científica, participar numa prova ou outra, partilhar receitas, etc…

Vamos lá então ao copy paste.

"Uma foto sondagem que vi recentemente acerca de dois ex-líbris do Algarve, fez-me vir partilhar uma história já antiga. História essa que não se sabe bem onde acaba a realidade e começa a lenda. Digo eu…
Conta-se que, quando o primeiro homem chegou à Lua (Neil Armstrong), já lá estava um algarvio a vender amêndoas e figos secos.
A ser verdade, sendo eu algarvio, quero acreditar que sim. Sabendo-se também, que o sítio não era muito frequentado por terráqueos, e fazendo fé na argúcia algarvia. Tudo leva a crer que os frutos em causa, eram fontes energéticas bastante apreciadas pelas diversas espécies alienígenas a frequentar o comércio lunar…
Vou deixar uma observação/curiosidade, ainda sobre um dos frutos secos em causa.
Hoje em dia é muito comum ver por aí, embalagens de leite de amêndoa à venda em espaços comerciais. …Não é fácil imaginar as amendoeiras, em fila indiana, a caminho da sala de ordenha…
E era isto… Bom dia!"
In Instagram 9/2/2019

Se isto não tem base científica, não sei...

"Feito o período de descanso de Marrakesh, está em marcha mais uma aventura. Asics Stockholm Marathon 2019.
A três meses de distância, o pontapé de saída para o plano de treinos foi dado em Mértola, em trilhos. 
7º da geral e 3º do escalão. Nos últimos anos, não me foi possível participar na prova da Vila Museu. Uma prova superiormente organizada por pessoal conhecido. A única prova de trail, que faço questão de participar. Claro que ainda faço mais questão de participar nos Trilhos do Perneta, mas do lado da organização, como é óbvio.
Foi muito bom voltar a ver pessoal conhecido do circuito, principalmente do Algarve. Fiquei a saber que estou perdoado de não aparecer em provas da minha região natal. Sabem que ando “metido" nas maratonas. Como digo aos meus filhos, antes nas maratonas, do que na droga…"
In Instagram 3/3/2019
Fui para esta prova lesionado, uma dor na coxa esquerda. A ideia era ir à caminhada. E fui… Durante cinco minutos… Se calhar vou experimentar devagar, se calhar vou forçar um pouco, se calhar… Ao fim de 15 minutos já me tinha esquecido da dor… É penar!


"O ano passado a participação em Barcelona 2018, impediu a presença na prova onde começaram as corridas, há oito anos. Corrida por sensações sem consulta de relógio. Saiu um pouco rápido demais para a altura da época desportiva, 1:20. Enfim, está feito."
In Instagram 17/3/2019

Quinze dias sem treinar, a tentar fazer desaparecer a dor que, como é óbvio, agravou depois dos trilhos de Mértola. A abordagem aqui era diferente, a ideia era fazer o aquecimento, forçar desde o início, e se a dor aparecesse, parar, desistir. A dor apareceu, aos 15 kms. Desisti? É penar, mesmo!!!



"Treino de 19 km, a fazer pendant com o 19 de Março, dia do pai. No próprio dia, o pai teve que fazer coisas de pai, e os filhos tiveram que fazer coisas de filhos, não deu para a foto.


É daqueles dias, que nós dizemos que determinado dia, é todos os dias. Não deixo de concordar, mas isso é num contexto equilibrado. Infelizmente ainda faz sentido pôr alguns dias no calendário. Como o dia da mãe, do pai, da mulher, da criança, etc. Há muito caminho a desbravar, até que a desigualdade e discriminação deixem de fazer parte da agenda, e cada um saiba das suas responsabilidades.

Ainda sou do tempo em que a participação nas atividades dos filhos, era ir com o @eduardolobo23 à piscina. Agora ter uma princesa no ballet… Está-se mesmo a ver onde é isto vai dar… 
Como é que que posso pôr as coisas? Imagine-se que eu era obrigado a participar numa das obras mais famosas do Tchaikovsky... A peça tinha que mudar de nome. Passava a de ser “O Bailado dos Cisnes, e o Pato Marreco"… Um autêntico elefante numa loja de porcelana!!! Apesar de tudo, um gosto enorme em partilhar a aula com a @barbara_b_lobo. Experiência a … Não repetir!!! (Brincadeirinha)
É um privilégio enorme ser pai. Parafraseando os fantásticos adeptos do Liverpool, e enquanto a ordem natural das coisas o permitir, "You'll Never Walk Alone"!"
In Instagram 23/3/2019


Felizmente não houve agravamento, a partir daí, foi só baixar os ritmos. Tem dado para acumular kms, ainda que sem um único treino técnico. Talvez para a semana.




"Visto ser fim de semana, há aquele tempo extra disponível para cozinhar. E porque não deixar uma receita...

Refeição- Longo/Ritmo Moderado

Grau de dificuldade- Médio 

Custo da refeição- Económico
Ingredientes- Bué de café, 1 litro de água, 1 banana, amêndoas, figos secos, um telemóvel cheio de música em estado sonoro.
Tempo de preparação- 10 minutos.
Tempo de cozedura- Pouco mais de duas horas.
Doses- 1 dose
Preparação- Nove dos dez minutos de preparação, são utilizados para arranjar mil desculpas para não ir. O último minuto é composto por linguagem imprópria e insultos vários. Se tiver sol, frio e a chover, como hoje, pode-se insultar mais um minuto ou outro, não há problema.
A cozedura- Como a maior parte dos pratos de excelência, deve ser feita em lume brando.
Até porque convém, guardar impropérios a sério, para os longos de intensidade elevada.
À exceção do café, que é consumido antes, os ingredientes são todos colocados na extraordinária mochila da Salomon, qual posto de abastecimento móvel impercetível, e vão sendo consumidos ao longo do percurso.
Sobremesa - Litro e meio de água nas 2/3 horas a seguir. Laranja, mel e canela. Isto com estas temperaturas mais frescas. No Verão com a elevada transpiração, à laranja ao mel e à canela, junta-se o tomate, com umas pedras de sal. 


Poderá avaliar esta receita até cinco estrelas 🌟🌟🌟🌟🌟 
Não, não poderá... Isto foi só para efeitos de estrutura, site/culinária. É pena…

E pronto, esta partilha passou-se… Era isto…Bom dia! “um telemóvel cheio de música em estado sonoro…” Tenho estado a magicar onde é que isto se poderá situar. No poético, no filosófico, ou no parvo… Estou desconfiado que sei a resposta!!! 

***É verdade que a inscrição não foi barata, e a t-shirt oficial da prova era opcional. Mas a dois meses da maratona, recebi a mesma, na caixa do correio, sem avisos de receção, sem nada, vinha num simples envelope branco… Simplicidade nórdica. Nada de especial. Mas em 12 maratonas, nunca tinha acontecido nada do género. Quer-me parecer que a Asics Stockholm Marathon não é mal organizada…Para primeira impressão, sim senhor!"
In Instagram 6/4/2019

É pronto, já está...
Isto às vezes são figos secos e amêndoas... Mas não faz mal nenhum juntar laranja, mel e canela!!!


Boas corridas.






quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Marrakesh 2019, uma lança em África. Operação 21!

A maratona do ponto de vista de um atleta de baixa competição!
Complexa esta décima segunda aventura, mais concretamente, até chegar a Marrakesh. Vou tentar pôr isto de forma cronológica, para não me perder na escrita.

Com a intenção de arranjar uma prova para participar no início de 2019, surge Marrakesh Marathon 2019, no horizonte. Partilhei a ideia ao pessoal, cada um iria decidir a seu tempo. Da minha parte estava decidido a embarcar na aventura. Pouco tempo depois de vir da Holanda, reservei viagem e fiz a inscrição. A antecipação  dos atos faz com que as coisas fiquem relativamente mais baratas. Depois corremos o risco de perder tudo, mas é isso mesmo, é um risco. 

Como é hábito, começo um plano de treinos, com 21 km em ritmo moderado. Desta vez não foi exceção. Na segunda semana do plano, um treino técnico, com intensidade à mistura, fez com que uma moinha antiga, se transformasse em incómodo a sério. Já andava a adiar a ida a exames há algumas maratonas. Achei que estava na hora de tentar perceber o que se estava a passar. Tomei a decisão de suspender o plano de treinos, e consequentemente a maratona em Marrocos. Mais uma vez comuniquei à maralha do Norte. Como ninguém tinha feito ainda nenhum investimento, ficou reservado para uma outra oportunidade.

Vou ter que fazer um flashback.

Depois de ter feito duas ou três maratonas, marquei uma consulta num ortopedista, no HP de Loulé. Ao entrar no consultório, qual a primeira pergunta do médico? Então do que é que se queixa? De nada, respondi eu. Então veio cá fazer o quê?
Depois de resumir um pouco a história das corridas, disse-lhe que estava preocupado porque estava sempre a ser confrontado com pessoas que tomam coisas antes, durante, e depois dos treinos, e eu não tomo nada. Posso estar à fazer alguma coisa mal. Posso estar à prejudicar o esqueleto.
O médico fez umas perguntas de rotina. Quando faz treinos mais intensos, mais longos recupera bem? Não fica com nenhuma dor que o incomode, faz os treinos de recuperação, e tem vontade de continuar a treinar? 
Só não tenho vontade de treinar a maior parte das vezes, por causa da preguiça, do cansaço não!
Faz uma alimentação equilibrada?
Sim, como quase tudo. Só não como carne de porco, de vaca, de borrego, de cabrito, migas, papas de milho, natas… E vá, não gosto muito de doces… Quanto ao resto, como tudo!!!
E bebidas?
Café, água, cerveja e vinho… Vá, se for bom, champanhe!!!
Volte cá quando tiver alguma queixa, não lhe posso fazer nada…
Quando entrei agora no consultório, no início de Dezembro, uns anos depois da primeira consulta. Qual foi a reação do médico? 
Afinal o maratonista sempre se lesionou… 
Bem disposto este profissional da medicina!!! (Profissional impecável)
Resumindo, fez despiste com movimentos físicos, disse-me que em princípio não tinha nada nos ossos, mas para descargo de consciência e poder apurar, ia fazer um RX à bacia, e uma TAC à coluna. Deu-me permissão para continuar a correr, pediu para reduzir ritmos de forma que não me incomodasse, e também procurar os pisos menos agressivos ao ossos, terra batida por exemplo.
Como as salas dos exames estavam em remodelação no Hospital, tive que marcar na clínica em Faro. Isso só veio atrasar o processo. Fiquei aborrecido? Não!  Estava desejando saber os resultados, mas só se fossem positivos. Se não fossem não estava…. Acho que somos todos assim…

Com a organização da São Silvestre às costas, pouco tempo sobrou para treinos em Dezembro. Marrakesh já tinha desaparecido do horizonte. Não deixei de treinar, distâncias curtas, e sem intensidade, quando podia, ia passear as sapatilhas. No início de Dezembro ainda fiz dois “longos“ de 21 km em ritmo médico. Na segunda quinzena, só deu São Silvestre… E não é que valeu a pena a dedicação. Muito, muito, muito a pena!

No último dia do ano, tenho acesso aos exames, e respectivos relatórios. Acho que li três ou quatro vezes, para não haver enganos. Tal como o médico tinha dito, os ossos estavam conformes. A dor, que entretanto estava calminha, normal face à ausência de treinos exigentes, era de uma qualquer articulação. Situação  que o médico me explicou mais detalhadamente na consulta seguinte. A sacroíliaca esquerda. Tanto pode ser do simples “uso”, o uso na corrida, como de uma má postura num comportamento do dia a dia. Depois faz com que uma articulação fique mais sobrecarregada do que a outra, logo, inflamação!

Às três da tarde do dia 31 decidi ir treinar, uma hora e pouco de corrida, 16 km, depois tomava a decisão de ativar ou não a aventura africana, operação 21, como lhe vim a chamar mais tarde. O treino foi mais para pensar nas possibilidades que haviam de preparar convenientemente uma maratona sub 3:00, em 21 dias. A prova era dia 27, mas a última semana não conta, é de descanso. Decidi que tinha que fazer pelo menos dois treinos longos, 30km e 35km, respectivamente. E dois de 21 km. Mais os restantes de recuperação e técnicos como é óbvio. Para estes quatro treinos, só havia três fins de semana… Toca a improvisar. Vou fazer do dia 1 de Janeiro, terça-feira, um fim de semana. Era a solução possível. Iam ser 21 dias onde tinha que correr tudo bem.

Com noite de ano novo a acabar às cinco da manhã. Tinha tudo para a coisa começar bem… Às 12:30 horas em ponto, estava sentado à mesa do almoço de dia de Ano Novo, com 30 km feitos e banho tomado, já agora. Estava também com muitas dúvidas, como é  que o corpo ia reagir à carga que aí vinha… 
No dia seguinte, por questões de agenda e logística, falo nessa real hipótese pela primeira vez. Como foi possível articular as coisas, essa possibilidade, já não era possibilidade, era já uma certeza. Não havia volta, a máquina estava ligada. Era irreversível.
Os dias  que se seguiram foram em contra relógio, o tempo não pára… Para lá da corrida haviam outras coisas na agenda. Devia um fim de semana fora, aos filhotes, desde o início de Dezembro. Se deves… Paga!!! Paga é como quem diz, tenho sérias dúvidas de quem é que fica mais a ganhar…

Tinha também agendado o último treino no norte do país.  21 km em Viana do Castelo, Meia Maratona Manuela Machado. Fiz estágio na invicta, grande beijinho à Dora e forte abraço ao Carlos. Forte convívio Perneta, em Viana. É uma prova para anotar no calendário. A ideia inicial era marcar o passo ao Carlos, mas limitações físicas do Perneta Mor, impediram essa possibilidade. Acabei por fazer um treino rápido, sem gastar energias desnecessárias. Correu muito bem… 

E finalmente segunda-feira, o primeiro  dia de descanso do plano, dia 21 de Janeiro, o dia mais importante do ano… Ah pois é,  eu tenho o dia mais importante do ano, duas vezes… 
Está de parabéns a minha princesa, 10º  aniversário. Coexistir com ela, é uma experiência sem paralelo, é um privilégio inexplicável. Merece o mundo esta menina!!!

Não falhei um único treino, nos 21 dias. Treinei fora de contexto, fora de horas, sem horas, com temperaturas negativas, com temperaturas positivas, sem temperaturas. Não falhei um único compromisso profissional ou pessoal. Foi fácil?! Aaahhh, isso agora interessa pouco ou nada….

Chego a Marrakesh com dois objetivos, correr abaixo das três horas, e se possível, fazer 2:55. Abaixo das três horas, pelo plano de treinos e objetivo pessoal, as 2:55, para garantir entrada livre em Berlim 2020, se assim entender participar. Nas inscrições deste ano, para 2020, com a minha idade, e 2:55, dispenso sorteio. Ainda não faço ideia se me apetece ir… Falta muito tempo… Mas se me apetecer… Tenho free pass para me inscrever!!!
Mesquita Koutobia

Antes de escrever sobre a maratona de Marrakesh em si, vou deixar uma breve  opinião sobre a cidade africana 
Já agora, uma observação que me parece relevante logo à partida. Quando cheguei a Helsinquia o ano passado, não estava à espera de uma cidade desequilibrada, nem com lacunas visíveis a cada esquina. Os finlandeses não me surpreenderam, as coisas por lá, tem todas um lugar… Quando cheguei a Marrakesh, não estava à espera de encontrar a organização nórdica… Acho que já me fiz entender, em Marrocos, sê marroquino!!!

Grandes discrepâncias sociais, a pobreza e a riqueza, vivem a um muro de distância. Mas isso não afeta a maioria das pessoas, desenvolveram uma capacidade de viverem dentro das suas possibilidades, com genuína alegria. Pedem por tudo e por nada, negoceiam mesmo tudo, mas são muito simpáticos no geral. Marrakesh, está habituada receber, isso é  também o ganha pão deles. Todas as ruas são ruas de comércio, serviços, etc. Os cheiros intensos das especiarias, misturado com centenas de outros aromas não filtrados. A poluição é visível a olho nu, muito óleo e gasóleo no pavimento, derivado de um parque automóvel muito degradado.

E o trânsito?! O trânsito em hora de ponta,  é caótico. Automóveis, autocarros, motorizadas, motos, bicicletas, charretes, a pé… É a anarquia completa!!!

Os táxis… Na foto que pus a ilustrar, já a viagem para o aeroporto estava a terminar,  e o taxímetro dizia “libre". Depois o preço é a olho… Durante a viagem, em conversa com o taxista perguntei-lhe a opinião dele sobre a cidade e sobre o trânsito na mesma. Ele para mim. Aqui a regra, é não haver regras!!! Depois perguntou -me o que tinha vindo fazer, e se era espanhol. Vim correr a maratona e não sou espanhol, sou português. Ele… Ah pois, isso é tudo a mesma coisa!!! Você fala bem francês não é normal nos turistas espanhóis (!!!)… Coisas destas é que a minha professora de francês do 11º ano devia ouvir… Bom, ele também não sabe distinguir Portugal de Espanha… Não se pode ter tudo… Mas não deixa de ser uma opinião!!! (Luis, o Ibérico). 
Fiquei um pouco aborrecido por causa da questão de não haver consumo de bebidas alcoólicas com a naturalidade que estamos habituados, é  uma questão religiosa. Há que manter o respeito.

Mas tenho que confessar, se houvesse um sítio  que servisse, uma cerveja fresca, eu tinha lá ido beber duas ou três acompanhadas com azeitonas bem temperadas de especiarias. Para mim às refeições é vinho,  também ficaria contente se isso fosse possível…

Onde fica? Como se chama?  Não fica muito longe da Koutobia, a mesquita mais importante  de Marrakesh, onde só entram muçulmanos. Kosybar… É  nome do espaço em questão. Não precisam de agradecer!!!


 Por falar em cervejas, vou ter que partilhar um dos segredos do sucesso deste atleta amador. 
Área de serviço de Alcácer do Sal, duas horas  antes da minha primeira meia maratona. Grandes dúvidas entre os estreantes de qual seria o melhor pequeno almoço pré prova… Para mim foi fácil de decidir, na bagagem iam sumos/refrigerantes e uma geleira de cervejas, para depois da prova. Eu não bebo sumos/refrigerantes, com a exceção da Coca-Cola. Não é tarde nem é cedo. O pequeno almoço vai ser uma cerveja com uma sandes com um bife de peru. Como a meia maratona  correu bem…2:19:38, nunca mais perdi o hábito, com a nuance de poder ser também com sandes de queijo, mais fácil de arranjar em qualquer lado.
No outro dia em Viana, fomos tomar o pequeno almoço a uma pastelaria que não tinha bebidas alcoólicas. Eu quase que vi preocupação no olhar do Carlos… Ele, “Então mas não há cerveja para o teu pequeno almoço, então mas…” . Pouco depois o resto da malta, então esse pequeno almoço, a cervejinha e tal… A sério!!!
Pessoal, eu quando estou sozinho, nem me lembro dessa situação, peço desculpa… Mais de metade das maratonas que fiz, nem faço ideia do que comi. É o que houver no Hotel. O segredo, é não haver segredo!!!
Já viram as figuras que eu faço nos hotéis, com os atletas todos concentrados nas quantidades certas do que vão ingerir e tal, e eu…

A foto ilustra o pequeno almoço de Barcelona, Roma, Amsterdão, e de um treino com o pessoal lá  de cima. Onde houve um diálogo caricato entre mim e o barman.
Quero uma sandes de queijo… E… Tem Sumol? Tenho, respondeu. Então fique com ele e traga-me uma cerveja!!! Nunca mais lá voltámos… 


Oito e meia da manhã, Marrakesh, tempo de enfrentar mais uma besta, de frente, com os objetivos que relatei anteriormente. A prova tem um percurso muito equilibrado, e  a temperatura estava boa para corrida.
O equipamento do CAL, não tem só as cores da bandeira portuguesa, como tem as da bandeira marroquina, vermelho e verde. E não é que isso teve as suas particularidades ao longo da prova. Os miúdos mais pequenos no público, assim que me viam aproximar, começavam a gritar Marrocos, Marrocos, devo ter dado mais de 200 high five ao longo da prova… (Luis, o marroquino). Para o público europeu a assistir à maratona ao longo do percurso… Portugal, Ronaldo, Ronaldo… (Luis, o do país do Ronaldo). É sem dúvida o equipamento mais bonito do mundo, e como dizem em Lamas, e de Lourosa também…
Início de  prova nas calmas, de trás para a frente, como mandam as regras da prudência, quando dei por isso tinham passado 10 km. O nevoeiro e o frio não criaram qualquer adversidade, ajudaram a manter os sentidos alerta. Por volta do km 18 alcancei um grupo de seis ou sete elementos. A “perseguição” tinha começado ao km 14, quatrocentos metros, com ritmos idênticos, levam o seu tempo a recuperar. Fiquei no grupo dois ou três km. Comecei a achar que estava a mastigar passo, decidi ir à minha vida, por volta do km 22 saí. E é aqui que começa uma nova corrida. No grupo ia uma rapariga, que decidiu apanhar a boleia. Fez três ou quatro km atrás de mim sem dirigir uma palavra. Pouco tempo depois, começou a ficar para trás gradualmente… Olhei e perguntei. O que é que se passa?
Os km estão à sair rápidos demais para as minhas possibilidades, respondeu.
Qual é o teu objetivo? Voltei a perguntar. E ela explicou…
Tenho o recorde pessoal de 2:56, estive sem poder treinar à vontade em Novembro e Dezembro… (fez-me lembrar alguém…) Gostava de fazer 2:55, mas não estou em condições físicas disso. Ainda por cima os últimos dez km são mais a subir… Era a sua terceira participação em Marrakesh. É marroquina, mas vive na Dinamarca, com o marido, e três filhotes.
Fiquei um pouco em silêncio e disse-lhe.  Como não tenho objetivos de recorde pessoal, vou marcar o ritmo que tu precisas. Não te deixo ficar para trás. Tu escolhes o ritmo, mas eu marco esse ritmo à minha maneira. A partir dali facilitou e muito a minha prova, com a “preocupação”, abstraí-me da minha maratona, e isso foi muito bom. 
Gostava de ter gravado o último km em áudio… “Eu vou chorar tanto”, “gritos de conquista”, “gritos”, “a minha treinadora não vai acreditar”,  “gritos”, etc, etc, etc…”
Já agora, não ficou nas 2:55 que queria. Fez 2:52, tal como eu, menos quatro (!!!) minutos do que o recorde pessoal. Foi como lhe tinha dito, eu marcava o passo dela… À minha maneira!!!


Não me lembro de ter visto tanto contentamento ao cortar uma meta de uma maratona. Tive alguma dificuldade em tirar a fotografia da praxe. Não deixava de agradecer e olhar para o relógio. Depois na foto, ainda fica apontar a dizer que a culpa é minha… Apontar é feio!!!

Se tenho seguido sozinho, possivelmente, tinha feito menos um minuto ou dois. Ela possivelmente  esmorecia e não chegava ao recorde pessoal. Foi trabalho de equipa. Poderia ter sido diferente,  mas tenho a certeza que não tinha sido a mesma coisa. Tenho também a certeza, que se fosse ao contrário, ela fazia o mesmo por mim. A isto chama-se corrida amadora no seu melhor. Ficámos os dois a ganhar. Como já tenho dito, estes é que são os meus “pódios” preferidos.

Boas corridas.