quarta-feira, 21 de setembro de 2016

24 horas a correr! Não há almoços grátis!

A maratona do ponto de vista de um atleta de baixa competição!
 24 horas a correr?!
Não há almoços grátis!!!
Era a repetição em Vale de Cambra, só que em moldes diferentes, desta vez o esforço das 24 horas a correr ia ser dividido por quatro. Era no fundo trabalho de equipa. O CAL estava no terreno!
Ainda a operação 24 horas mal tinha começado e já havia confusão.
É certo que o sotaque deste alentejano ainda está a fazer o seu caminho a norte, mas confundir a palavra "mini", com meia de leite!!!
"Peço desculpa, mas este atleta não consome leitinho, venha de lá essa mini para acompanhar a sandes"!
Vou explicar de onde vem esta tradição.
Na minha primeira meia-maratona Lisboa 2011, na paragem para reforço alimentar na área de serviço da auto estrada, degustei uma sandes acompanhado de uma cerveja, nem sei bem porquê.
Como essa meia-maratona correu muito bem, 2h:19m:38s, ao ritmo de 6m:40s ao km, nunca mais deixei cair a tradição. Pronto tá explicado!
Mal tínhamos chegado ao parque de Vale de Cambra, para os últimos preparos antes da prova, e havia uma preocupação generalizada no grupo.
" Épa, temos que ir buscar gelo, temos que tratar disso já"!
É normal, ia ser uma prova dura, iam aparecer pequenas lesões musculares, pequenas entorses, etc, etc. O gelo é terapêutico nestes casos e tal...
Não, não era essa a preocupação... era gelo para refrescar as minis. Isto é um clube como deve ser, preocupações com coisas sérias!!!
Ficou provado que não somos grande coisa a armar tendas, somos de longe muito melhores a dar barraca!!!
Com a excepção do Américo, é claro. O Américo é tester na empresa LEGO, não digam a ninguém, porque pouca gente sabe, nem ele mesmo!!! Grande Américo!
Tenda armada, umas minis no bucho, o que é que o atleta vai fazer?
Apanha boleia de alguma malta do grupo, alguns já com turnos de corrida feitos, e vai almoçar à "cantina".
"Quero uma sandes de atum, uma sopa, um copo de água, um copo de vinho, uma pêra e um café se faz favor!"
No lugar do copo de vinho tinto, trazem-me um copo com baba de camelo!!!
Tá bonito, nã, nã tá!
Confusões desfeitas e o primeiro almoço grátis, já cá estava!
Nunca tinha visto disto, já havia 6 horas de corrida e eu só comer e beber! Sim senhor!
Depois das primeiras duas horas de corrida (finalmente), toca a ir beber uma mini com o pessoal, um banho de água que não estava muito quente, estava novamente na hora!
Na hora de quê?
Na hora de ir almoçar!
Neste segundo almoço optei por uma sandes de atum, uma sopa, um copo de água, um copo de vinho tinto, uma pêra e um café. Gosto de variar a alimentação!
(Tenho que dizer que nós na tenda do CAL tínhamos comida para dar e vender, eu é que gosto de "almoços grátis")!
Depois deste almoço, passo um pouco pelas brasas, faço mais um turno de corrida, bebe-se mais uma mini com o pessoal, um banho de água que estava ainda menos quente e estava novamente na hora.
De almoço, do que havia de ser?!
5:08 da manhã!
Desta vez é que variei, uma sandes de atum, uma sopa, um copo de água, um copo de vinho tinto, uma pêra e um café!
Cada almoço estava a ficar por pouco mais de 27 Kms, "paguei" pelas três refeições 83 Kms, eu bem disse no início que não há almoços grátis!!!
Nos intervalos destes almoços, tínhamos que descansar, tentar manter a sanidade mental (com o mister a não deixar "cair" ninguém, Ganda Bruno) e fazer um esforço para não rir muito, tenho que confessar, esta última parte com o espírito de grupo que existe não é fácil!!!
Agora um pouco a sério.
É um enorme orgulho fazer parte deste clube.
O modo de estar Calense não se fecha sobre si próprio, é um orgulho ainda maior ouvir o que os outros grupos de corrida dizem do nosso comportamento no mundo da corrida amadora.
Não tem  nada a ver com desempenhos desportivos, essencialmente pela forma de estar, a parte humana da coisa!
Temos um grupo fortíssimo!
Foi uma óptima opção a participação por equipas, o Carlos acabou por ser o homem da estratégia, foi o elo de ligação de todo o grupo. Conseguiu passar muito bem a mensagem, o resto foi sermos nós próprios!
Um destaque para o pessoal com menos rotina em distâncias longas, que não se deixaram intimidar e carregaram kms como se não houvesse amanhã. Muitos parabéns por isso!
Não falhou rigorosamente nada ao nível da preparação e logística da prova.
Deixar uma palavra de agradecimento a todos, eu como chego mais à hora, tenho a papinha toda feita, muito obrigado por tudo!
Tive direito a festa surpresa de aniversário e tudo. Sim, este ano fiz anos dia 18 de Setembro, para o ano ainda não sei bem o dia. Logo se vê!
Mas como diz o ditado, vamos lá perceber porque é que "Não há almoços grátis"!
Deram realmente três almoços ao pessoal pelas seis horas de corrida, não foi mau, só que consumir três almoços em 24 horas deixam muitas dores no esqueleto. Ou foi dos almoços, ou foi da corrida, quem é que sabe?!
Enfim, foi o preço a pagar!!!
Vou deixar aqui um pedido, e acho que falo em nome de muitos atletas!
Para as pessoas que constroem estações de metro, para as pessoas que constroem aeroportos, para as pessoas que constroem o pódio, deixem lá isso dos degraus, se faz favor... deixem lá  isso!
O pessoal a seguir a determinadas provas, só quer o mundo um pouco mais plano, um mundo mais plano... só isso...!!!
Boas corridas!








sábado, 10 de setembro de 2016

#baixadefinição. O que dizem as tuas pernas?

A maratona do ponto de vista de um atleta de baixa competição!
#baixadefinição
O que dizem as tuas pernas?
Por muito que pareça fácil, nem sempre se consegue entrevistar as pessoas certas na devida altura.
Esta é a entrevista de uma vida, a entrevista há muito aguardada, onde todas as questões importantes são abordadas... ou melhor... dado o facto de ser difícil parar de rir, talvez seja a entrevista possível!!!
Eduardo e Bárbara Lobo estavam no sítio certo à hora indicada!
Eduardo e Bárbara
-Desde já agradecer a entrevista, que há mais de 15 anos procurávamos fazer, desistir é uma palavra que não faz parte do nosso dicionário!
Atleta de baixa competição
-15 anos!?
Eduardo e Bárbara
-Talvez mais, mas isso agora não interessa nada!
O que te levou a meter nisto das corridas?
Atleta de baixa competição
-Como digo sempre aos meus filhos, é sempre melhor a corrida, do que meter-me na droga!
...gosto de polvo assado
...gosto de polvo frito
...gosto de azul claro
Eduardo e Bárbara
-Mas concretamente o que te atrai na corrida?
Atleta de baixa competição
-Não gosto de andar, e a corrida é o desporto que menos precisa de andar!
Eduardo e Bárbara
-O xadrez por exemplo, porque não?
Atleta de baixa competição
-Aquilo demora muito tempo e a pessoa tem que andar!
Eduardo e Bárbara
-No xadrez, andar!?
Atleta de baixa competição
-Sim, para ir fazer xixi!
...não gosto de papas de milho
...não gosto de migas
...não gosto de azul escuro
Eduardo e Bárbara
-Não gostas de papas de milho? Para algarvio...
Atleta de baixa competição
-Não sou algarvio, sou alentejano!
Eduardo e Bárbara
-Não gostas de migas, para alentejano...
Atleta de baixa competição
-Não sou alentejano, sou algarvio!
...gosto de perceves
...gosto de caracóis do mar
...gosto de limão
Eduardo e Bárbara
-O que é uma maratona para ti?
Atleta de baixa competição
-Resposta séria?!
Eduardo e Bárbara
-Claro!
Atleta de baixa competição
-É a soma da distância de duas meias-maratonas!
Eduardo e Bárbara
-Resposta profunda!
Atleta de baixa competição
-Não consigo brincar com coisas sérias!
...não gosto de deitar cedo
...não gosto de levantar tarde
...não gosto de búzios
Eduardo e Bárbara
Se pudesses mudar alguma coisa, o que é que mudavas?
Atleta de baixa competição
-O dia para a noite e vice versa!
Eduardo e Bárbara
-Mas assim ficava tudo na mesma...
Atleta de baixa competição
-Pois...

---- ficam poucas perguntas por responder, mas quem sabe numa outra ocasião----

Eduardo e Bárbara
-O que dizem as tuas pernas?
Atleta de baixa competição
-Dizem o mesmo que o resto dos membros!
Eduardo e Bárbara
-Como assim?
Atleta de baixa competição
-Não é fácil aturar a cabeça que comanda as operações...


Tempo livre de qualidade nas mãos dá nisto!!!
Boas corridas!





Making off


sábado, 27 de agosto de 2016

Maratona do Porto 2016, o início dos trabalhos!

A maratona (e o trail) do ponto de vista de um atleta de baixa competição!
A maratona do Porto 2016!
A tradição continua...
É tradição que a minha preparação de uma maratona comece com uma meia-maratona e faça uma publicação a marcar esse começo, esta não foi exceção!
Foi, e é sempre um prazer fazer estes primeiros 21kms!
Como são feitos em ritmo ligeiro nunca deixam más recordações!
Tem sido quase sempre assim o início dos trabalhos, e vamos lá ver, tem corrido bem!!!
Quer isto dizer que a maratona do Porto 2016  já teve início, já está oficialmente no terreno!
O seu epílogo será a norte nas ruas da bela cidade invicta, mas até lá muitos dos episódios decorrerão bem a sul, divididos entre Alentejo e Algarve, ou não fosse eu o algarvio mais alentejano que conheço!
Tenho previsto também um treino longo a norte, em Vale de Cambra, em princípio irá durar 24 horas!!!
Um único desejo!
Gostava que a preparação não ficasse marcada por lesões de maior importância, a teimosia não me deixa não participar neste evento. Fica só o sublinhado!
Esta preparação terá um "Plus", vou tentar que um dos treinos da semana seja feito em trilhos.
Porquê?
Não faço a mínima ideia!
Só porque me apetece, isso é mais do que suficiente.
Não deixa de me despertar curiosidade, porque nunca fiz trilhos a sério, a sério ao nível de intensidade como é óbvio. Felizmente já tive o privilégio de participar em trilhos como deve ser!
Geralmente os treinos de preparação para a maratona são levados com seriedade, existe enorme compromisso, é nos treinos de preparação que compro sofrimento às paletes!
É certo que vou ficar com outra ideia dos trilhos, não sei se será a melhor, veremos!
Já que falo em trilhos, trazer de volta um episódio do Ultra Trilhos Rocha da Pena 2016!
Tenho mesmo que documentar com imagens a questão das unhas dos dedos grandes dos pés, dado ao facto de muitas pessoas me terem questionado acerca das mesmas.
Ao dizer que tinha perdido as unhas dos dedos grandes dos pés, não quis propriamente dizer que tinham saltado das sapatilhas. Ainda estão ligadas ao corpo, mas deve dar para perceber pela foto que já não fazem parte do mundo dos vivos, já partiram.
Paz à sua alma!!!
Boas corridas!



sábado, 13 de agosto de 2016

I Trail Nocturno de Santa Clara a Nova

A maratona  (e o trail) do ponto de vista de um atleta de baixa competição!
I Trail Nocturno Santa Clara a Nova!
Já havia um quarto de hora que eram nove horas e aí estava o primeiro Trail Nocturno de Santa Clara a ter início.
9:15 em ponto, "em Santa Clara é para o cumprir horários", ouvimos nós da boca de um dos principais culpados da existência do evento, Dário Guerreiro!
Prova composta por duas distâncias, 6,5 Kms e 12,5 Kms respectivamente.
Vou já dissecar a parte das paisagens. O facto de ser um trail nocturno foi realizado à noite (por esta é que ninguém esperava). O céu estrelado era fantástico!!!
Pronto já estamos arrumados no que a paisagens diz respeito!
Já participei em várias corridas com o meu filho, mas na mesma distância foi a primeira vez. Também por isso este trail fica marcado para mais tarde recordar.
Fizemos uma corrida sem stress, foi bom, muito bom!
Partilhámos grande parte do percurso com outras duas atletas, tínhamos o mesmo passo.
Deixar já aqui um elogio ao fotógrafo, porque apesar de nós passarmos a alta velocidade na terra batida, conseguiu fazer parecer que estávamos a posar para a foto. Que profissional!
Deixar aqui também uma palavra de destaque ao Dário, pela dedicação que põe na organização dos eventos.
Houve uma altura em que estava perto de nós na corrida, na moto4 e ao mesmo tempo estávamos a ouvi-lo no palco da festa...Juro... Abraço Dário!
Inserida nas festas populares, a prova tem tudo para fazer o seu caminho. O conceito parece-me muito bom.
O pessoal corre ou marcha, gasta umas calorias e a seguir vai comer o frango assado e hidratar!!!
Com o simpático preço de 10 euros, o participante teve direito a t-shirt de participação, um dorsal personalizado todo catita, pré aquecimento com Zumba, banho de águas correntes, frango assado (batatas e salada), uma bebida. Muito bom!
Excelente promoção da corrida, é apenas o ponto de vista de um atleta de baixa competição, que já participou numa prova ou outra!
A sério, achei o conceito muito bom, essa é a verdade!

Há sempre um lugar comum nisto das corridas, o pessoal pode não correr grande coisa, mas para comer e beber, somos um espectáculo!
E depois o pessoal do staff, é tudo malta muito simpática!!!
Eu a correr em "casa", ia dizer o contrário.
Chama-se preservação da integridade física!
Brincadeira!!!
Boas corridas

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Ultra Trilhos Rocha da Pena 2016

A maratona (e o trail) do ponto de vista de um atleta de baixa competição!
Ultra Trilhos Rocha da Pena 2016!
Correu dentro do esperado ou até mesmo melhor.
Desde os 70 Kms no Azores Blue Island Trail, os treinos tem sido em pouca quantidade, distância e também pouca intensidade.
No mês de Junho consegui um acumulado de 78,9 Kms, (dá para acreditar?!) 28 desses kms foram num treino convívio com minis à mistura e tudo. Recorde de inércia dos últimos cinco anos de corrida.
Julho já somou 205 Kms de acumulado, mas sempre sem intensidade e com os treinos mais longos a não passarem dos 21kms. Faz sentido ir fazer uma prova de 50kms?
Claro que faz, de acordo com a música assim a dança.
Épa, vinha pessoal do CAL, não dava para não participar.
Quando o Nuno me disse que vinham sabia que não iria ter grandes treinos antes da prova, coincidia com o meu período de férias da corrida.
Na véspera da prova confidenciei aos meus colegas de clube, “se correr tudo normalmente vou estar 7 horas em pista”. Cheguei 7:07h depois do início, sete minutos não é grande erro pois não?!
Tinha analisado a altímetria e a respectiva distância, sabia a forma em que me encontrava, portanto não podia haver grandes surpresas
Era para ser feito em velocidade cruzeiro, sem stress.
Naturalmente a partir dos 30 Kms começaram a pesar os Kms, já esperava, foi gerir até ao fim da melhor forma.
Tive direito a uma queda como deve ser, no empedrado da ribeira.
Na tentativa de não cair, nos pontapés e trambolhões perdi as duas unhas grandes dos pés, mas consegui manter os dentes todos na boca. O que não é mau(!!!), entre unhas e dentes prefiro manter os dentes!
Já agora, para que servem as unhas dos pés!?
Sim, para quem gosta de as pintar tudo bem. Mas a questão é ao nível prático, porquê, para quê?
Uns Trilhos como deve ser, com partes técnicas, estradão, subidas e descidas que sim senhor!
Muito pessoal a queixar-se do calor. Bem, em Agosto no sítio onde é não consigo perceber o que é que estavam à espera.
Ainda por cima um trail com vista para o mar, grandes vistas. Quanto melhor a vista, maior tinha sido o sofrimento para a alcançar. Muito bom!
E digo mais, estava um calorzito sim senhor, mas nada de extraordinário. Podia ter sido bem pior, bem pior.
Fiquei em 40 da classificação geral e em 8 do meu escalão.
E o que dizer do pessoal da organização?
Tinha ficado encantado com o staff do trail dos Açores, logo a exigência em termos de comparação era alta. Nada a apontar, tudo a agradecer. Para lá dos abastecimentos estarem muito bem, tinham pessoal com uma simpatia e disponibilidade para ajudar cinco estrelas.
O resto do grupo do CAL aproveitou o evento às mil maravilhas. O grande  Nuno andou em alta rotação e fez quarto lugar da geral nos 25 Kms, como ele diz, "Foi Top"!
Acho que está mais do que justificado porque é que correu bem melhor do que o esperado. Não houve incidentes e ficou mais uma aventura registada.
A aprendizagem no trail continua.
Respeitei o que tinha aprendido nos Açores com o Jerome, briefings é no Peter’s. Não havia Peter’s, mas havia bar do complexo!
Para se ser Calense não pode ser só correrias, também temos que se desenrascar na hidratação com cereais líquidos, de preferência frescos.
Desde que me meti nas maratonas,  consequentemente treinos mais longos que as unhas caem com facilidade. Sem acidentes, só do impacto.
Tenho um compromisso com o pessoal da loja da Asics em Portimão para ir fazer o teste do pezinho. Eu até disse que ia, só que tinha que ir com todas as unhas dos pés.
Logo agora que só já faltava uma...!
Ir fazer o teste com sete unhas em dez...
É uma vergonha!!!
Boas corridas!

quinta-feira, 23 de junho de 2016

As minhas seis meninas e o seu irmão mais novo!

A maratona (e o trail) do ponto de vista de um atleta de baixa competição!
As minhas seis meninas e o seu irmão mais novo!
Como a maior parte da utilização do perfil de Facebook  é relacionado com as aventuras e brincadeiras do atletismo de baixa competição, tive uma ideia para foto de capa.
Tirava umas fotos individuais às medalhas das maratonas, juntava as mesmas num só espaço e pronto estava uma foto de capa toda cheia de simbolismo. O resultado da foto não foi grande coisa, mas que está carregada de simbolismo, lá isso está!
Tanto está, que senti-me na obrigação de escrever umas linhas sobre isso, para mim aquelas medalhas são material sagrado, material do que são feitos os sonhos. Mas sem a mínima sombra de dúvidas. Não podia deixar passar como se de trivialidades se tratasse.
A época desportiva tem início no July 4, como ficou decidido o ano passado em assembleia geral interna, The Independence Day!
Tenho estado em modo de descanso, sem um único treino de esforço desde o trail dos Açores. A semana passada fiz um acumulado de 4,6kms. Esta semana ainda não pus a vista em cima de calçado desportivo, vai em 0 kms de acumulado!!!
Estou a tentar bater o recorde de inactividade dos últimos cinco anos.
Já agora aproveito esta reflexão, em que vou falar das minhas meninas e dizer que o ano desportivo que aí vem, já tem algumas marcações na agenda. Há vontade para treinar, haja pernas à altura dos acontecimentos!
O July 4 está aí ao virar da esquina!
Vamos lá então às linhas despoletadas pela foto de capa.
Como costumo dizer, somos nós que construímos a nossa história e este pequeno período das maratonas convém realmente ficar bem registado. Estão ali uns belos kms para mais tarde recordar!
Então não é que a minha mais velha já faz três anos em Outubro, a Maratona de Lisboa 2013.
Quem diria?! Realmente o tempo não pára!
Treinos feitos como deve ser, chegava a Cascais para tirar a "carta" de maratonas, sem querer escolhi um sítio como deve ser. Muito bom!
Lisboa 2013 
Um início ao nível da água do mar, ou seja começava mesmo do zero, como mandam as regras.
Ainda mal tinha começado o exame e já o meu coração queria protagonismo. Uma taquicardia obriga-me a ajoelhar durante 10 longos minutos. Ajoelhar, mas ajoelhar com estilo, com vista privilegiada para a magnífica baía de Cascais.
Levei 3h:19m a percorrer os 42.195 metros, mas como o tempo não pára tive de lhe juntar os 10 minutos de paragem forçada.
Tudo somado chegava ao parque das nações 3h:29m depois do início da prova, com um amargo de boca que serviria de motivação para eventos futuros.
Passaram-me a carta, mas não fiquei nada convencido.
Dias depois faço a inscrição na Maratona de Sevilla 2014.
Adoentado na véspera, mas muito bem acompanhado.
Meados de Novembro começam os treinos de preparação, sem grandes percalços, apenas uma pequena nuance. Quando faltavam sete dias para a prova, uma gripe deu descanso às sapatilhas, nem um metro de treino. Na última semana já não há grande coisa a fazer, não seria por aí.
Ingeri litros e litros de mel nessa semana, as abelhas são grandes!
Desta vez não começava ao nível da água do mar, mas Sevilla tem a particularidade de ter um percurso com o mínimo de desníveis, logo diminui um pouco as dificuldades da distância. Tem poucos desníveis, mas tem espanhóis e espanholas a incentivar os participantes que sim senhor!
"Venga Campeon, Venga Luis", ouvi centenas de vezes (dorsais personalizados), só para deixar esclarecido, o meu nome não é Campeon, simplesmente Luis!
Sevilla 2014 
Entrada no estádio, com claque nas bancadas e cruzo a meta 3h:04m depois. Agora sim tinha sido como devia ser, sentia-me realmente "encartado", neste segundo exame passei com distinção!
Como é óbvio, assim que recuperei "os sentidos", só tinha uma localidade no pensamento. Cascais, qual havia de ser?! Tinha que lá voltar, tinha ficado qualquer coisa por fazer!
E aí estava ela, a Maratona de Lisboa 2014!
Com algumas alterações de percurso em relação ao ano anterior, ia começar a maratona mais importante das seis concluídas até hoje. Não disse a mais difícil, essa é outra história. É a mais importante porque tinha como objectivo secreto correr abaixo das 3h:00m, coisa que no amadorismo é o tocar no céu.
Apanhei o pacemaker das 3h:00m ao km 10 da prova, fiquei por ali 16 Kms a aproveitar a "boleia".
Por altura do km 26 pensei, se já tenho carta, porque não tentar arranjar um verbet?!
Saí do grupo para só parar no parque das nações, com o voo consegui tirar alguns segundos por km e as 2h:58m eram simplesmente o reflexo que o resultado do ano anterior, não só não me afectou, como me motivou.
Lisboa 2014 
Cascais/Lisboa forever, dava uma bela tatuagem, não dava? Não vai acontecer!
Com o verbet nas mãos era tempo de arranjar sítio emblemático para por em prática a experiência acumulada.
Tentei Paris, mas como já disse em reflexões anteriores estava "fechada". Consegui inscrição na Maratona de Madrid!
A preparação de Madrid foi a única até agora que correu sem contrariedades, foi cinco estrelas. O resultado disso foi a maratona perfeita!
Madrid 2015 
Chuva e frio de principio ao fim, mas sem vento, um sobe e desce que sim senhor, com a cereja no topo do bolo que são os últimos 7 kms a subir.
O que faz uma preparação como deve ser, 2h:53m depois estava na meta. Apesar de todas as adversidades climáticas foi um voo muito tranquilo, a usar o verbet como deve ser!
Já estava prometido ao Carlos que a próxima aventura seria a Maratona do Porto, ia correr com o pessoal do CAL. Aliás foi nessa altura que assinei o contrato milionário com o clube, envolveu muitos zeros, é só o que posso dizer. Existe uma cláusula de confidencialidade!!!
O plano de treinos foi interrompido várias vezes por lesões, não correu nada bem, não era bom presságio.
Já  escrevi isto várias vezes e vou voltar a fazê-lo.
Existe um antes e um depois da Maratona do Porto!
A mais dura e a mais saborosa de todas, provei ali o pão que o Diabo amassou. Só que para lá de ter sido amassado pelo Diabo, já tinha uns dias, era um pão muito, muito duro de roer!
Porto 2015 
Experimentei sofrimento que não sabia que existia, é sempre bom certas descobertas, trazem novos pontos de vista!
Consegui não me despenhar, aguentei o voo dentro dos limites, 2h:59m foi a sua duração.
Foi sem dúvida a minha Maratona Gourmet, sem a mínima sombra de dúvida!
E em cinco anos de corrida e três de maratonas, só já falta falar da minha mais nova, a elegante Maratona de Paris.
Ainda estou a recuperar dessa aventura!
Uma parte da preparação da prova foi para esquecer, uma lesão num joelho deixou-me a cabeça feita num oito.
Existe uma culpada para a Maratona de Paris ter sido o que foi. Nem mais nem menos do que a meia-maratona de Lisboa 2016.
Conseguir cumprir uma promessa de cinco anos, tirar uma hora à minha primeira meia-maratona, foi o tranquilizante que faltava para limpar a cabeça daquela "lixada" lesão no joelho!
Paris 2016 
Cheguei tão tranquilo à prova, que ao longo daqueles 42.195 m gastei todo o oxigénio que possuía, os níveis chegaram um nadinha negativos, uns dez minutos depois já estavam repostos.
Já conseguia reconhecer um Arco que eles tem lá no meio da cidade.
Umas cervejas Heineken a seguir também deram uma ajudinha!
Era merecido, estava a comemorar o voo mais rápido de sempre, 2h:52m.
Não fiquei surpreendido,
Meia-maratona Lisboa 2016 
depois daquela 1h:19m da meia-maratona de Lisboa, sabia que era possível!
O que dizer do irmão mais novo destas meninas?!
Azores Blue Island Ultra Trail!
Foi uma experiência extraordinária, ainda muito presente, a desanuviar da estrada como deve ser, num ambiente magnífico.
70 Kms percorridos ao longo de 10h55m com várias estações do ano à mistura. Ainda consigo sentir o cheiro, da noite, do dia, do sol, da chuva, do frio, do vento, da lama, das pessoas!
Azores 2016 
Não, não andei a cheirar as pessoas, foi uma forma de humanizar o discurso. Mas no fundo foi muito isso, uma prova com pessoas. Pessoas como deve ser. Foi muito bom!
Também foi muito bom ter pensado em alterar a foto de capa, não ficou grande coisa, mas obrigou-me a juntar no mesmo texto as provas mais importantes da minha história!
São as minhas seis meninas e o seu irmão mais novo!
Boas corridas!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Azores Blue Island Ultra Trail // 70 kms

A maratona (e o trail) do ponto de vista de um atleta de baixa competição!
Azores Blue Island Ultra Trail!
Há um antes e um depois da Maratona do Porto, já disse isto algumas vezes, mas cada vez faz mais sentido.
A maratona do Porto foi como que a explosão de uma granada. Explosão essa que me tem feito chegar estilhaço atrás de estilhaço. Ficam gravados na pele como tatuagens invisíveis, mas cheias de significado!
No fim da prova que mais sofri até hoje, sou confrontado pelo Carlos Cardoso.
- Tive aqui a pensar e cheguei à conclusão que tens duas opções para fazeres parte do CAL!
- Sério! Quais?
- Ou fazes parte a bem, ou fazes parte a mal.
E tens participar num trail com o pessoal!!!
E pronto, dia 8 de Novembro de 2015 começa o Azores Blue Island Ultra Trail. A conversa com o Carlos pode não ter sido bem assim, mas isso agora não interessa nada. O trail dos Açores começou mesmo nesse dia!
Dia 27 de Maio de 2016, aterra o avião na ilha do Faial, como fazia parte da comitiva deixei-me ir, não havia volta a dar!
Como nunca sei como é que as histórias que começo vão acabar, vou aproveitar para fazer já um comentário à organização.
Lembrar-me da organização, faz-me logo lembrar de uma pedra no sapato. Mas ao contrário do que possa parecer não é uma metáfora encapotada, em que vem aí crítica por isto ou por aquilo!
Numa fase já avançada da prova, uma  parte com mais vento, chuva e frio, entra uma pedra para dentro da sapatilha. Aguentei alguns kms, mas estava a ser insuportável, tive que parar para tentar resolver o problema.
Dedos gelados, sem sensibilidade e não querer parar muito tempo. Iria ser missão impossível!
Uma das colaboradoras da organização por perto percebeu a situação, descalçou-me a sapatilha, tirou o duplo nó dos cordões, fez sair a pedra e voltou a calçar-me.
Acho que esta situação faz bem um resumo de todo o resto, pessoas super disponíveis para ajudar, sem um único defeito a apontar. Sem um defeito a apontar, mas com mil coisas a agradecer. Muito, muito obrigado!
70 Kms sempre são 70 kms, nunca será fácil fazer grande resumo, vou dividir por itens de forma a (tentar) conseguir concluir esta reflexão!

Clube Atletismo Lamas

Esta prova nos Açores foi feita com o pessoal do CAL sempre presente, tentar correr um pouco por todos com o espírito de grupo que existe. Foi lá que fui fazer o primeiro treino de trail, foi só transportar para o terreno o que tinha sentido e aprendido em Canedo, foi facílimo!

Carlos Cardoso

O culpado disto tudo!
Nem me obrigou a assinar pelo CAL, nem me obrigou a ir ao Azores Blue Island Ultra Trail, muito longe disso!
O Carlos era para ter participado na prova, pelo menos por dois motivos.
Em primeiro porque queria muito, e em segundo porque estava dentro dos planos de treino de preparação para a aventura que tem marcada para o fim de Agosto, Mont Blanc na distância de 101 kms (CCC).
A parte profissional não o permitiu,  todos sabemos que a corrida não pode ser a prioridade, por muito que custe.
Eu na altura e por arrasto acabo por escolher esta corrida para a primeira participação em trilhos a sério.
O CAL em vez de três, passou a dois representantes. Eu e o Filipe Fontes!
Ainda deu para partilhar um bocado de corrida com o Filipe, sempre com a boa disposição à flor da pele. Sempre "sem stress", grande Filipe!
A verdade é que o Carlos continuava a ser o culpado disto tudo.
O facto de ele não poder participar, fazia subir a "responsabilidade" de fazer uma boa prestação.
Felizmente isso aconteceu, é uma forma de "pagar" a experiência que eu passei, experiência cinco estrelas!

Jerome Esteves

Conheci o Jerome no vão de escada do primeiro andar até ao átrio da residêncial onde iria ficar hospedado.
Ele para mim.
-Afinal somos colegas de quarto e tal, não sabia que ía haver quartos divididos. Ressonas durante a noite? É que eu tenho mesmo que dormir!
Dei uma resposta elaborada, mas o que interessa foi o fim. Não, não ressono!!!
Isto já de saída da residencial para o secretariado da prova.
Num dos passeios da rua apresentou-me um casal.
-É o Diogo e a Patrícia, um casal amigo que vem participar na prova.
Do outro lado da rua apresentou-me outro casal.
-É a minha mãe e o meu pai, a Sra Monique e o Sr Américo!
Epá, já tinha passado muito tempo que se conhecíamos, mais ou menos uns dois minutos. E pronto já tinha arranjado uma família de acolhimento!
Fomos recolher os dorsais. E depois, ficámos para o briefing?
Não ficámos, o Jerome disse que já tinha ouvido muitos briefings. Afinal íamos ao Peter's, nada de briefings!
Foi uma sorte do caraças o colega de quarto.
O Jerome tem histórico e performances como deve ser na disciplina do trail, basta dizer que vai também participar no Mont Blanc, na distância de 170 kms (UTMB). E as "licenças" de participação nas distâncias do Mont Blanc não são propriamente por dá cá aquela palha!
A preparação da prova ouvindo conselhos de quem sabe e copiando comportamentos, fez toda a diferença. A prova nunca teria sido o que foi sem o Jerome, nem de perto nem de longe!

Carla André

A Carla André é uma rapariga que se dedica às corridas, só que às vezes exagera um bocadinho nas distâncias, vai a certos e determinados sítios e fica por lá a correr durante muito tempo!
Há vasta informação sobre os seus desempenhos por essa Internet fora. Dizer por exemplo, que agora está de malas feitas para ir fazer 217 kms dia 18 de Julho em condições, que sim senhor!
Vai ser a primeira representante feminina de Portugal a participar na Badwater, uma das mais exigentes provas do planeta Terra. Por acaso não tenho ouvido falar em provas de atletismo alienígenas, mas quem é que sabe?!
Aproveitou e veio participar nos 70 kms dos Açores, sempre com algum receio de se lesionar, muito perceptível.
A rapariga faz da resistência e resiliência a sua imagem de marca, essa prova nos EUA vai correr bem!
No dia seguinte, foi com a Carla e o Jerome que tive a fazer o rescaldo da prova açoriana.
Muito simpática e óptima companhia. Temos alguns hábitos e objectivos comuns no que às corridas diz respeito. No próprio dia chegou a fazer equipa comigo para tentar convencer o Jerome a...!
Para tentar convencer o Jerome a fazer uma maratona.
Não perdemos a luta, ele "prometeu" que irá fazer uma maratona. Só com um pormenor, será depois de nadar e andar de bicicleta uma remessa de kms. É isso mesmo, num Iroman!!!
Nota-se que tive alguma sorte nas minhas companhias. Nota-se não é!

Sra Monique e Sr Américo

Agora aqui é que estão as dificuldades!
Tive toda a tarde da véspera com o Jerome, o Diogo, a Patrícia, a sra Monique e o sr Américo!
Fiquei a saber que os pais do Jerome também iam participar na prova. Pensei é que essa participação seria em terrenos com menos dificuldades, apesar dos 23 kms!
Quando me cruzei com eles na prova, não queria acreditar que eles tinham que ir pelos mesmo trilhos que eu estava a passar. Não queria acreditar!
Perguntei inúmeras vezes a atletas nas proximidades se o percurso que eles tinham que fazer, era aquele que estávamos a passar. Eu não queria acreditar!
Muito frio, muita lama, subidas íngremes, descidas com um lamaçal terrível, etc etc etc etc!
Não se diz a idade das senhoras, mas o sr Américo tem 83 anos, não me enganei, 83 anos!!!
Serão inesquecíveis para o resto da vida, pela lição que me deram, eu ainda hoje estou a desejar que eles não precisem de passar por aquilo. Mas já passaram, e chegaram à meta com uma dignidade enorme!
Foi extraordinário ver o Jerome e o Diogo, ir ter com eles para partilhar as centenas de metros finais. Muito bom!
Sabem qual era a grande preocupação da sra Monique na chegada?
Parece a ser mentira!
Estava preocupada com a participação da Patrícia por aqueles trilhos. Dá para acreditar?!
Conheci um casal maravilhoso, a sra Monique e o sr Américo, muito obrigado por isso!

Uma estreia em trilhos como deve ser!
Fica mais que provado que sozinhos não fazemos nada.
Um enorme obrigado a todas as pessoas que mencionei na reflexão e a todas as pessoas que directa ou indirectamente fazem parte destas minhas aventuras na corrida.
É óbvio que tenho uma fonte de energia inesgotável, nas maiores dificuldades são os meus filhotes que fazem o último esforço, dão mais um passo, fazem mais um metro. Nunca falham!

Principalmente por não ter podido participar, mas também por ser o culpado disto tudo, a prova tem uma dedicatória particular, Carlos Cardoso!
Obrigado e um forte abraço!

Boas corridas!