sábado, 17 de março de 2018

Luis Lobo, o 2º português a concluir a Maratona de Barcelona 2018.

A maratona do ponto de vista de um atleta de baixa competição!
Luis Lobo o 2º português a terminar a maratona de  Barcelona 2018, envergando a camisola do Clube Atletismo de Lamas… Déjà vu???... Pois, foi só alterar um lugar e a cidade, (1º e Roma)!!!
Tenho que aproveitar estes títulos, nunca me passou pela cabeça escrever tais coisas. Tal como disse da última vez, sei que existem muitos atletas com tempos muito melhores. Mas o que hei-de fazer… Eu estava lá...E  assim faço títulos de posts para o blogue todos catitas. Esta prova teve mais de 17000 participantes. Mais de 13000 concluíram, muitas nacionalidades, muitos portugueses face à proximidade territorial. 228º da geral, 115º do escalão, e 2º português.
Ser o 2º português... Fico só contente por isso. A classificação é um pormenor.
Numa análise mais séria, podia ter sido muito melhor, o Luis de Barcelona, ficou a seis longos minutos do Luis de Roma!!! Porquê? Porque o dia em que se faz uma maratona, é somente a ponta do Iceberg.
A parte que fica submersa tem pano para mangas. Qualquer maratonista experiente explica. O difícil não é fazer a maratona, o difícil são os treinos para a mesma.
A preparação para esta prova foi das mais ricas em conteúdo. Começou em Outubro, com a desistência em Lisboa 2017, a sugestão de Barcelona por parte da família do Norte (Bruno e Moreira), a erradicação de provas, o aumento do núcleo duro da minha família. Então não é que nasce o meu sobrinho, Lourenço Lobo, dia 4 de Dezembro... Ainda bem a tempo de participar numa prova que eu estava a organizar, a São Silvestre A-do-Neves, com apenas 24 dias. Espero que o moço tenha mais juízo do que o tio… Vá, e do que o pai!!!
A preparação de  Barcelona teve ainda o Natal, o Ano Novo, os Reis, os 25 dias de licença de paternidade do meu irmão, 58  jantares de Natal, com o Filipe, o Ricardo, com o meu irmão. Jantares de Natal da empresa, com o meu irmão,  jantares de Natal com o Zé Lagoa, com o Hélder, com o meu irmão. Com o Rui, com o João, com o meu irmão, com mil pessoas. Acho que até cheguei a jantar com os meus filhos… E com o meu irmão!!!
Já que estou a falar de atletismo, nem sempre acontece, vou deixar as minhas pontas de Icebergs. Está ali uma carga de trabalho submerso… Decidi dar-lhe nome, com uma palavra apenas.




Em quatro anos e meio, não é mau. Muito trabalho “debaixo de água”. Todas elas com direito a post individual no blogue.
Desde que comecei as corridas nunca tinha falhado uma meia-maratona da ponte 25 de Abril. Quiseram as incidências, apesar da prova se realizar no mesmo dia da maratona de Barcelona, que acabasse por não perder a passagem na antiga ponte Salazar. Quero acreditar que foi por eu não poder participar. Ou pelo mau tempo. Ou por um ou outro parafuso a menos no tabuleiro da mesma.
Foram para Sete Rios, incomodar a “rapaziada” do jardim zoológico. Os animais ao Domingo já tem que aturar pouca gente… Ainda agora... Os runners… Por acaso no Jardim Zoológico também há um desporto muito engraçado. Para os que se vão meter com as jaulas dos chimpanzés.
O arremesso de fezes à cabeça dos mais engraçadinhos, lembro-me de assistir, de longe, nas excursões da escola primária. Um “desporto” deveras hilariante...
Resumindo… Deixar um abraço a todos os colegas que participaram, o irmão mais velho, o Zé Gonçalo, o Nuno, etc, etc. Apesar de todas as alterações realizaram ótimas prestações. Não foi a mesma coisa… Não foi por não passarem a ponte…Foi por eu não ter estado com eles!!! Convencido?! Não! Então, como é óbvio gostava muito de lá estar. São outra parte da minha família das corridas!
Eu decidi que sou a favor da independência dos Catalães. E também decidi que sou a favor da independência dos espanhóis da Catalunha. Pois, eu disse que ia sentir o pulso da população. Eu tenho na minha posse a solução para os problemas da região.
Não vou gastar energias com ideologias, porque tenho mais coisas para fazer. Vou deixar uma solução óbvia, prática, e barata. Temos que olhar aos gastos. O referendo mostrou a população dividida, e eu sei como dividir. Las Ramblas!!!
A capital da Catalunha é Barcelona, e a capital de Barcelona são as Ramblas, pelo menos para mim. As Ramblas é uma avenida onde as pessoas vão andar… Num extremo a Praça da Catalunha, do outro a estátua do Cristóvão Colombo. Como disse antes, um sítio onde se vai andar. São também muito conhecidas por ser um dos sítios do mundo com mais assaltos por minuto. Há pessoas, que vão lá só para ser assaltadas. Quem está nas Ramblas é a Marilyn Monroe, numa varanda. Está bem conservada a moça. As Ramblas tem também um mercado com muitas frutas coloridas, La Boqueria.

Dá a impressão de não ser para comer, só para ver. As Ramblas tem ainda 468 lojas paquistanesas, é uma coisa muito característica da região... No fundo tem tudo e mais alguma coisa.
Bom, vamos lá à minha opinião para solucionar o problema entre Catalães e Espanhóis. A solução passa por criar uma linha imaginária, com início nas Ramblas, como é óbvio. Quem for a favor da independência passa para um dos lados da linha, e ficam a denominar-se Ramblães . Contra a independência, do outro lado, os Ramblóis . Depois ao Domingo, vão todos para as Ramblas... Às lojas paquistanesas, andar, comer fruta, ver a Marilyn, ser assaltados... Mais simples não há!
À parte de brincadeiras, Barcelona é uma cidade como deve ser. Tinha que ser vista com mais tempo, fica para outra altura. Só um ponto negativo. Curiosamente comum a Roma, o cheiro a esgotos. Eu compreendo, é um problema que afeta a maior parte das cidades grandes. Também não falta um bocadinho de antipatia espanhola, eles teriam tanto a aprender com os portugueses. No cômputo geral gostei muito da cidade, pena só o pouco tempo para deambular.
Passo da cidade para a organização da prova. Só um aspeto negativo. O pack dado ao atleta podia ser melhor. O resto, um espetáculo. Fiz a 40ª edição da maratona de Paris, e agora vim fazer a 40ª edição da maratona de Barcelona. Está tão bem organizado que nem nos apercebemos da quantidade de pessoas que participam. Em organização, até agora, só suplantada por Paris. Mas classificação cinco estrelas. Muito bom.
O facto de ser uma operação “Pernetas on tour”, faz com que os dias se tornem MUITO pequenos. Acho que fizemos 325 kms na véspera da maratona. Tínhamos que ir a sítios… E quando um vai… Vamos todos!!!
Como é que eu descrevo a nossa postura Perneta…
Imaginem uma avenida (pode ser La Rambla), e queremos ir a determinado sítio. Vamos pelo caminho mais simples? Não! Vamos pelo caminho que um qualquer decidir… Nem que seja só para depois ficar a “azucrinar” a cabeça do idiota em questão… Que escolheu o pior sítio. Ninguém fica pra trás, aconteça o que acontecer. Que maralha!!!
Bruno, Zé Coelho, Zé Moreira, Filipe Fontes, Hélder Silva. Uma equipa de luxo. Faltou o Perneta Mor, Carlos Cardoso. Dissemos pouco mal dele, dissemos…Tivesses vindo!
Nas maratonas, tenho hábito de fazer um treino de adaptação ao meio ambiente na véspera, seis kms.
Consegui fazer o treino já noite dentro, tivemos que ir a  sítios… Mas acabou por correr bem, com a camisola da maratona do Porto 2015, como é tradição.
Em relação à prova, tinha confidenciado a muita gente que o objetivo era o minuto 55, fiquei no minuto 54. Juro que houve uma altura que percebi que podia entrar no minuto 53, mas não forcei. Como se pode ver nos registos que deixei, esse minuto já está registado, em Madrid.
Foi talvez a maratona que levei mais insegurança. Depois de uma desistência e muitos meses sem entrar em provas. Estava proibido pelo treinador. Os treinos dão confiança, mas uma prova ou outra dá a aferição de forma em “competição”. Foi uma espécie de birra.
Com um percurso duro, e vento, acabei por correr sempre à defesa, nada de aventuras, o principal objetivo era terminar abaixo das três horas. Foi gerir e acabar super tranquilo.
Como isto não é só corrida, esta maratona tem uma dedicatória especial, é dedicada aos meus filhotes, em especial ao Eduardo.
Boas corridas

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

3ª Escalada ao Alto do Malhão. Correu muito bem.

A maratona do ponto de vista de um atleta de baixa competição!
3ª Escalada ao Alto do Malhão.
Com algumas condicionantes, lá consegui participar nesta terceira edição. Como já tenho dito, isto não é só corrida. Na verdade, foi num “intervalo da chuva”. E por isso, vá lá um mini post, só para deixar a coisa arquivada onde deve ser.
Tive a ideia em 2016. E porque não fazer a subida do Malhão um pouco antes do final de etapa da volta ao Algarve. Sim, já a fiz várias vezes sozinho em treino, e a sofrer como deve ser. Mas a ideia englobava diversão, o sofrimento ficava para outros rosários. Para isso convidei o meu irmão e o Zé Gonçalo. Com a parte laboral a impedir o Eduardo, sobrei eu e o Zé. Correu muito bem.
Em 2017 tivemos os reforços, Eduardo e Ricardo. Duplicação de participantes. Correu bem?! Correu muito bem.
Este ano tínhamos mais pessoal com vontade de participar, mas pelos mais variados motivos, não puderam.  A comitiva chegou ao alto do Malhão com sete elementos. “O oitavo passageiro”, já lá estava. E apesar de ser nome de filme de aliens, o oitavo passageiro não era extraterrestre. Um runner que andava por ali a deambular, juntou-se ao grupo.
Coincidência ou não, conseguimos duplicar a participação do ano anterior. Eu, Eduardo Lobo, Zé Gonçalo, Ricardo, José Ribeiro, João José, Marco, e o José Luis. E mais uma vez correu muito bem.
Para o ano há mais.
Fica o vídeo do evento. Como disse no início, apenas um mini post. 
Boas corridas. 



sábado, 6 de janeiro de 2018

2ª São Silvestre A-do-Neves. Muito obrigado!

A maratona do ponto de vista de um atleta de baixa competição!
2ª São Silvestre A-do-Neves. 
Na primeira edição deste evento, lembro-me, uma hora depois da maior parte do pessoal se ter ido embora, ter este pensamento. 
“Se organizar a 2ª edição, fazemos isto, fazemos aquilo, fazemos assim, fazemos assado…” (e não é que fizemos assados mesmo!!!)
O esqueleto da prova ficou definido nessa noite. Como é óbvio, sofreu muitas alterações. Surgiram opiniões, sugestões, de muita gente. Foi tudo acolhido. Umas ideias complementaram outras. E isso é que tem de ser sublinhado. Esta é uma prova de muita gente, eu apenas liguei as pontas. Com o meu irmão a ser o braço direito da coisa.
Tenho que fazer um parêntesis.
Numa altura em que organizavam-mos festas de Verão, fizemos no Centro Cultural A-do-Neves um torneio de sueca. Pus alguma originalidade nos prémios, originalidade e sigilo. Não podíamos ser copiados, tinha que haver o efeito surpresa.
Conseguimos pôr a jogar 200 equipas, ou seja, 400 pessoas, mais acompanhantes. No Centro Cultural A-do-Neves e arredores (na zona de partida da São Silvestre A-do-Neves), andavam mais ou menos 500 (!!!) pessoas.  Acho que foi o dia, em toda a minha vida, que me chamaram mais nomes, nada abonatórios. A mim e a todos os que estavam na organização. Lembro-me que passei na zona do bar no fim da tarde. Parecia que tinha passado um tsunami. Sobraram as pessoas do staff. Pelo menos ninguém foi dado como desaparecido até hoje…
Fiz este parêntesis, para explicar que em nenhuma altura estive preocupado com a quantidade de pessoas que se podiam inscrever. Até tive que brincar com a situação, e pôr as inscrições limitadas a 10500 pessoas. Sim, chegara-me aos ouvidos algumas preocupações (algumas insólitas). Tudo normal para quem não conhece as pessoas envolvidas.
Eu não tenho nada contra quem joga sueca, mas os runners são malta mais paciente.
Também fui questionado sobre o pessoal que viria do norte, os meus colegas de clube e respetivas famílias. Um autocarro de pessoas é muita gente. Esses eram os que me davam menos preocupação. Vamos lá a perceber. Então eu faço parte do clube por alguma razão… Deve ser porque sou bem tratado (não vou aqui agora falar de uma ameaçazita ou outra). Então… Eles são familiares… Não vem na árvore genealógica. É aquela família que vamos encontrando ao longo da vida. E depois ainda são simpáticos, as pessoas ficaram a gostar deles. Não sei quanto pagaram por isso!!!
Outra coisa a sublinhar, foi a adesão espontânea dos populares. Em primeiro lugar destacar a parte dos doces. Sim, nós sugerimos, se houvesse uma pessoa ou outra, que quisesse fazer um bolo. Para nós tudo bem. Não estava era à espera de tanto. No aspeto logístico tinha tudo pensado, mas precisávamos de mão de obra. No dia da corrida havia pessoas para tudo e mais alguma coisa. Foi espetacular. Foi mesmo aquele espírito de Festas de Verão, foi muito bom!!! 
Não vou individualizar agradecimentos, iria ser injusto de certeza absoluta. Vou agradecer de forma mais “geral”.
Em primeiro lugar, os apoios mais formais. 
À Câmara Municipal de Almodôvar, por tornar possível este evento. Quer na parte logística, apoios, organização. O facto de a prova ser não competitiva, não quer dizer que não houvesse muito profissionalismo. Muito mesmo. Ajudaram a dar corpo ao que idealizei. 
Depois à Junta de freguesia do Rosário. Apoiaram incondicionalmente todas as solicitações. A parte das bebidas, dos prémios, foi tudo suportado pela junta de freguesia.
Ainda formalmente, à União de de freguesias de Santa Clara-Gomes Aires. Que gentilmente nos emprestou o pórtico.
Depois os apoios menos formais. Menos formais, mas mais saborosos.
Do ano passado, transitavam os apoios da empresa Luis e Mateus, e da Queijaria Monte do Pereiro. Enchidos, e queijos respetivamente. Dizer que da parte de Luis e Mateus, este ano ainda juntaram aos enchidos, carne para grelhar na brasa. Foi uma oferta muito bem recebida pelos participantes… Ainda do ano passado, a Quinta do Lobo (Eduardo Lobo), a fornecer o vinho tinto.
Este ano, José Luis Brito Madeira, foi a primeira novidade, ao oferecer um leitão assado. Seguiu-se a pastelaria Sarita com os magníficos bolos Rei. As padarias de Mário José Mestre, e Antónia Duarte, ao oferecerem o pão para acompanhar as “proteínas”. Também no vinho apareceu mais uma oferta. Sebastião Madeira, também quis trazer a sua “pomada”. E por último o João Dores, que quis dar aos participantes as azeitonas por si "adoçadas". 
Um agradecimento a todos os que comigo colaboraram, de forma a tornar tudo isto possível. É mesmo muita gente. Muito obrigado!
Agora um agradecimento para todos os participantes, foram eles que trouxeram dimensão e sentido à prova. Muito, muito obrigado a todos.
A prova tinha uma finalidade, foi mais que atingida. Eu tinha ficado sensibilizado com a alegria que tinha visto nos rostos da edição anterior. A promessa era duplicar esses rostos. Foi superado em muito…
Fica para o fim a menção ao meu clube. Clube Atletismo de Lamas. Escrevi numa publicação, “Clube Atletismo de Lamas, não é um clube melhor do que os outros. É diferente!”
Carlos, tens de ter aulas de Matemática…
Disse-me numa das minhas viagens a norte. 
“Epà, já que vais organizar a prova, vamos uns sete  oito pernetas lá a baixo”.
Sete ou oito?! Não estudes que não é preciso. É por isso é que é um clube diferente. Tem pessoas que não percebem nada de matemática… Só por isso!!!
Muito obrigado por tudo pessoal. Foi um orgulho enorme tê-los recebido. Como já disseram em vários sítios, que valeu a pena a viagem de quase 1000 kms em 18 horas. É a opinião de um autocarro de pessoas (dá para acreditar?!). Agora não há volta a dar. Está dito.
Do fundo do coração, muito, muito obrigado!!!
Vou buscar uma ideia que deixei no início. 
“Eu não tenho nada contra quem joga sueca, mas os runners são malta mais paciente.”
Ou então, ao contrário dos participantes na sueca, os runners não “emborcaram” paletes e paletes de barris de imperial numa tarde/noite inteira. Outra diferença foi, que nesta prova venceram todos. E na sueca todos queriam ganhar o primeiro prémio... Todos queriam ganhar a Vaca...
Quem é que sabe?! Pode ter feito toda a diferença...
Boas corridas!




segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Não pode ser... Mas eu gosto tanto!!! Não pode ser... Mas...

A maratona do ponto de vista de um atleta de baixa competição!
Como não há provas no radar, porque não falar um pouco da preparação para a maratona de Barcelona. 
Um plano de treinos é uma autêntica montanha russa. E se apanha a época natalícia/fim de ano, então é para esquecer. Fiquei com esse conhecimento, na experiência que foi preparar Sevilha 2014, prova que está calendarizada nos últimos fins de semana de Fevereiro. 
Tem que haver um “jet lag”, que não lembra a ninguém. Planos de treino, não gostam de jantares de Natal. É verdade, isso só acontece porque sou um atleta de baixa competição. Tenho a regra, muita corrida sim senhor, mas não posso interferir em excesso na parte pessoal. Há mais vida para além da corrida.
Hoje é mesmo sobre corrida que vou escrever, alguma vez tinha que ser.
Divido o plano de treinos em três tipos de treinos. Técnicos, longos, e de recuperação. É elaborado por mim, e como já tenho alguma bagagem acumulada, vou ver ao histórico, o que andei a fazer em determinadas fases de cada preparação. A partir daí, a construção do plano vai sendo alterada. Aproveita-se o que resultou, e altera-se o que correu menos bem. Mas isto é a parte lógica da coisa. Porque às vezes num só treino, há mil alterações.
Aos treinos longos, chamo-lhe as minhas pequenas maratonas.
Na generalidade dos  treinos longos, com trinta ou mais kms, existe sempre a sensação de uma pequena maratona. Como são feitos em intensidade moderada, no fim, fica aquela sensação, mais uma banana e meio litro de água no bucho, e hoje fazia os 42.195m… São as tais “pequenas maratonas”. Mas é mesmo para isso que os treinos longos servem. Para dar confiança. 
Os treinos técnicos são uma carga de trabalhos… Há dois anos que não faço séries. Achei que ia melhorar a minha vida com essa deliberação.  Melhorei?! Nem por isso! 
Uma lesão num treino de séries na preparação de Paris 2016, fez-me tomar essa decisão. Em vez de ganhar velocidade, com esse treino, ganhei uma remessa de dores de cabeça. 
O problema foi o que veio substituir as séries. Fartlek e treinos de ritmo. Parecem nomes inofensivos, parecem, mas não são. Tiram o sangue todo aos ossos. 
Como estou “proibido” de competir, ponho muita lenha a arder nos treinos. Por norma fico queimado, mas muito. Também é verdade que às vezes saem registos que trazem alguma ajuda, ajuda para os treinos que se seguem. Pura motivação. Vou deixar dois exemplos disso.
Na tarde de Halloween, tinha decidido, dez minutos de aquecimento, quinze minutos à morte (às escuras), dez minutos de volta à calma. Só que no meio dos quinze rápidos, não resisti a ver o relógio. Ia abaixo do melhor registo dos cinco kms. Que sofrimento aqueles últimos mil metros… Não fiz os dez minutos de volta à calma, não estava capaz, mas pulverizei a melhor marca da distância, tirei vinte e quatro segundos ao antigo recorde.
E as séries é que são sofrimento…
Recentemente noutro treino técnico “inofensivo”, voltou a haver sofrimento a sério. 
Saída para um treino progressivo de dez kms. A ideia era correr progressivamente, e no total ficar abaixo do minuto trinta e oito. Os primeiros cinco kms tinham que ser feitos às escuras, por sensações. Na consulta intermédia, com “pernas” para andar, a média apontava para o melhor desempenho nos dez kms. Os últimos cinco kms em contra relógio, deixaram a sensação que posso pensar em entrar no minuto trinta e quatro. Mas tenho que confessar, no último km estava no limite. Voltei a pulverizar um registo, desta vez, quarenta e dois segundos menos. 
E as séries é que são sofrimento...
Lembro-me, do que disse ao meu irmão e ao Ricardo, há mais ou menos quatro anos. “Um dia, corro uma maratona em 2h:48, corro uma meia maratona numa 1h:16, e corro os dez kms em 35 minutos. Falta a meia maratona. Mas não é para agora, estou numa de maratonas…
Durante os treinos técnicos, um dos pensamentos é, amanhã é dia de recuperação, amanhã é dia de recuperação, ... É o cérebro a negociar o sofrimento. Os treinos de recuperação, são os treinos fofinhos. Se houvessem só treinos de recuperação... O mundo... O mundo, era um mundo melhor, mais fofinho!!!
Por falar num mundo melhor, vamos lá falar do melhor ambiente que existe para treinar, disse ambiente, não disse piso. Eu já tenho dito que adoro treinar à beira mar. No momento parece-me que era capaz de correr interminavelmente. Fico com a sensação de que a maresia me alimenta. Revitaliza o corpo e a mente. Ainda por cima gosto da água do mar, sim, mesmo para beber... Dá a sensação, que se não houvessem barreiras, nunca mais parava. Temos que tirar o exagero, como é óbvio. 
Excesso de treinos na praia, fez-me parar a preparação do Porto 2016, duas semanas. Uma lesão num joelho. Agora tenho o compromisso interno, em alturas de plano de treinos, nada de corridas na praia. É proibido.
Um dia destes, tinha que fazer uma hora de recuperação, mais ou menos doze kms. O problema foi, que tinha areia à vista. “Não podes… Mas eu gosto tanto… Não podes… Mas eu gosto...” Da hora disponível, estive meia hora a negociar com a mente. Consegui a outra meia hora na praia, seis kms na areia, mas prometi que ia devagar. Cumpri. E depois ainda encontrei pessoal conhecido. Quiseram tirar fotos e mais não sei o quê… Malta aborrecida!!!
Se eu mandasse, a pista onde treino, tinha mar à volta. Todas as estradas onde faço longos, eram resvés o oceano Atlântico. E os treinos de recuperação, eram feitos em passadiços à beira mar. Mas pronto, não sou eu que mando…
E não é que escrevi sobre atletismo?!
Hoje foi dia de treino fofinho. Recuperação em dia de Natal. Aproveito para deixar votos de um bom Natal a quem vem aqui ao cantinho de reflexões. 
Aquilo da alimentação à base da maresia, não está comprovado. Se for só maresia a pessoa perde muito peso. E a água salgada dá uma certa sede. Nem tudo o que é poético de escrever, resulta na prática. Há por aí muitas dietas, mas nunca ouvi falar na dieta poética. 
“Fico com a sensação de que a maresia me alimenta.” Isto só visto, contado...
Bom Natal, boas corridas!

sábado, 25 de novembro de 2017

Messi, Barcelona, não, não é futebol!


A maratona do ponto de vista de um atleta de baixa competição!
Depois de Sevilha em 2014, Madrid 2015, segue-se nova aventura em Espanha. Será na cidade condal, no dia  11 de Março, que vou tentar concluir a minha nona maratona.
A programação da época de atletismo 2017, foi um autêntico desastre. Erro atrás de erro. Foi programação de principiante  básico. Ano (quase) "horribilis" . É verdade que fiz uma marca em Roma (2:48:10), que dificilmente vou conseguir bater. Tirando isso e os convívios com o pessoal, o resto do ano desportivo, tenho mesmo que dizer... foi…fezes!!!
Tenho que confessar também. Lido muito mal com  desistências. Seja por lesão, por taquicardias, ou seja por o raio que me parta. Ainda bem que isto é um hobby.
A lesão da maratona de Lisboa e consequente desistência deixou-me uma azia que nem quero classificar. Apesar de quinze dias depois estar recuperado, aconteceu o efeito borboleta. Suprimi todas as provas até ao fim do ano. E não eram poucas.
Em boa hora, colegas do clube sugeriram a maratona de Barcelona. E continuou a borboleta, nesse dia apaguei mais duas provas habituais do calendário. Trilhos de Mértola e a meia-maratona da ponte 25 de Abril. Desde que corro que faz parte do calendário. Em 2018 não vai fazer. 2018 terá que ser diferente do ano anterior, diferente, mas muito!!! Já disse que… ando com uma azia…
Uma preparação de maratona que se preze, começa com uma meia-maratona em ritmo ligeiro. Barcelona não foi diferente. Por questões logísticas decidi fazer em circuito São Silvestre A-do-Neves. 21 voltas, e está despachado. Foi a primeira meia-maratona “dentro” de  casa. Mesmo a tempo de apanhar o despertar duma princesa.
A preparação começa muito mais cedo do que é  habitual. Já preparei uma maratona nesta altura do ano (Sevilha 2014), e diz-me a experiência que tenho que descontar duas a três semanas. Geralmente há uns trezentos jantares de Natal. Os treinos não gostam de jantares de Natal.
Como a maratona se vai realizar em Barcelona, trouxe para dividir a foto principal  comigo, um rapaz, que é mais ou menos conhecido por aqueles lados, Lionel Messi. Ele insistiu muito…
E porque não escrever um pouco sobre futebol?! Eu acabo por nunca escrever sobre atletismo na mesma!
Trouxe o Messi, porque sou um admirador confesso das qualidades futebolísticas do moço. Faz parte da galeria restrita dos meus três ídolos do futebol. A ele juntam-se Manuel G. Bento, e Diego A. Maradona.
Bento (o Homem Borracha), antigo guarda redes do Benfica. Foi por causa dele que comecei a gostar de ver futebol, e por arrasto simpatizante do clube, que, como dizem os meus colegas do norte, tem um milhafre no símbolo.
Diego Armando Maradona (el Pibe, el D10S).
Sobre este indivíduo, aconselho rever resumos do México 86. O facto de ele ter saído desse campeonato do mundo com a alcunha El Dios, deve querer dizer alguma coisa.
E por fim Messi (la pulga). Um alien que vive entre nós há trinta anos.
Eu costumo dizer que as pessoas que assistem aos jogos do Barcelona, deviam pagar dois bilhetes. Um pelo jogo em si, e outro pelo privilégio de o ver jogar.
Ídolos futebolísticos, são estes três. Mas nunca esquecendo, os nossos, “Reinaldo” e Eusébio. Fenomenais.
Contudo não posso deixar este assunto futebol, sem antes deixar informação relevante em relação à minha naturalidade. Antes de qualquer outro clube, sou do Farense. A claque do clube algarvio (Os South Side Boys), não se importam que o pessoal de Faro tenha outras preferências clubísticas. Mas, “impõem”, se são de Faro, primeiro são do Farense. Quando virem a inscrição que está na foto, espalhada pelo concelho, já sabem o que significa.
“És de Faro
És Farense”
É verdade que Barcelona tem estado muito em voga, por ser a capital da Catalunha. Pela tão badalada independência. Foi também por isso, que o pessoal decidiu por Barcelona. Vamos pôr  alguma ordem naquilo, vamos  sentir o pulso da população, e atuar convenientemente. Se há coisas que somos conhecidos, é por pôr ordem em sítios…  Pernetas no terreno!!!
E já agora o catalão... O que é aquilo?! Que língua é aquela?! Parece o meu primo de Évora, o José João, quando tenta falar espanhol em Badajoz, com as vendedoras de caramelos. Só que, é  ele a tentar falar espanhol, depois de almoço, com o bucho cheio de vinho tinto...
Boas corridas.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Ganda Zuka! Do Coliseu ao Terreiro do Paço, são 2h:48m de distância.

A maratona do ponto de vista de um atleta de baixa competição!
Maratona de Lisboa 2017, a primeira desistência na prova rainha.
Não tenho o hábito de escrever sobre provas que não concluo, mas desta vez merece a exceção. Para lá da minha participação, tinha um “afilhado” em prova. E já se sabe, quando um corre, corremos todos.
Nos treinos que antecederam, a maratona, fui surpreendido por uma dor no pé esquerdo. Dor essa que me obrigou mesmo a parar em três treinos. Como aconteceu de forma aleatória e não consecutiva, pensei que não teria grande importância. Teve importância.
A minha maratona, acabou perto de São Pedro do Estoril. Com quase 19 kms, três deles em “insistência”. Estava na hora de sair de pista. Acabei por desistir na primeira vez que não tinha um tempo específico como objetivo, era só para terminar. Se calhar o meu corpo sob pressão afasta as lesões. Pode parecer brincadeira, mas vou ficar a pensar nisso.
Passado pouco tempo, comecei a pensar que tinha de arranjar maneira de chegar ao Terreiro do Paço antes do afilhado. Foi fácil, foi só procurar a estação de comboio mais perto, e 50 minutos depois estava na chegada.
O tempo de espera serviu para trazer a maratona de Roma, para Lisboa. Cheguei ao Terreiro do Paço e lembrei-me imediatamente do Coliseu. Não, não foi pelas parecenças. Foi da azáfama. Foi pela envolvência que por ali havia. Provas com milhares de pessoas, são mesmo a minha praia.
Lembrar-me do Coliseu, e das 2h:48m de Roma, fez-me pensar que afinal de contas o ano “maratonístico” não correu assim tão mal. A desistência de Lisboa tinha que ser encarada com normalidade. A corrida contínua.
A primeira coisa a fazer, era ir esperar o meu irmão que vinha na meia-maratona. Meia-maratona que tinha saído da Ponte Vasco da Gama. Tal como ele tinha previsto, 1h:33m depois, aí estava ele. Ainda deu para um cumprimento na reta final.
Vou aproveitar para descrever a meia-maratona com os olhos dele.
“Epá, o novo percurso da prova é muito mais duro, mas é espetacular…”
Pois, às vezes os recordes pessoais não são tudo. Alteraram o percurso para melhor. É mais difícil, mas passa pela parte nobre da cidade. Eu já fiz a Avenida da Liberdade em prova, e tenho a dizer. Entre as retas da marginal, sem “graça” nenhuma, prefiro andar nos altos e baixos pela bela Lisboa. Fiquei com muita vontade de fazer esta prova.
Deixar uma palavra de apreço para o restante pessoal que terminou a meia-maratona, alguns deles estreantes. Foi curioso ouvir as conversas deles na volta, no autocarro. Fez-me recuar no tempo. Quando estava também no início da brincadeira da corrida. 
Outra menção ainda para outro amigo das corridas, o Valdemar, que fez na estreia da maratona, 3h:12m. Muito bom!
Continuou a conversa com o meu irmão sobre o novo percurso da meia, enquanto fomos esperar pelo Zuka. Já havia quatro horas de prova, estava na altura do rapaz aparecer, mais coisa menos coisa.
Mas antes disso, tenho que fazer um flashback.
O Zuka começou as corridas dele há alguns anos. Primeiro em provas de curta distância, duas mãos cheias de meias-maratonas e outras provas de trail similares. Mas acima de tudo com o máximo respeito em relação às distâncias, e à sua capacidade. Isso tudo junto, fê-lo decidir experimentar a maratona. 
Neste flashback, ainda tenho que fazer um parêntesis. 
Contaram-me que, quando acabei a maratona do Porto 2016, com 2h:50m, e ele ficou a saber. Disse a plenos pulmões publicamente que o herói dele, não era o Mo Farah, nem o Bolt. O herói dele era eu, no que ao atletismo diz respeito. Não é a primeira pessoa que tem manifestações do género. Talvez por, felizmente conseguir desempenhos um pouco fora da caixa, para quem o atletismo é apenas, uns bons treinos e muita diversão. Que faz bem ao ego ouvir essas manifestações, lá isso faz!
Como é óbvio, quando ele tomou a decisão, em Maio, prontifiquei-me a ajudar no que fosse possível. Claro que lhe dei os planos de treino que faço para mim, claro que lhe disse para não os cumprir na íntegra (o moço que os faz não regula bem da cabeça), mas acima tudo, nunca lhe disse que ia ser fácil. Nunca é.
Treinar para uma maratona durante o Verão tem dificuldades extra. As férias, as festas de Verão , o calor, as festas de Verão, a praia, as festas de Verão… No Verão há muita festa!!!
O Zuka resistiu a isso tudo. Tirando muito tempo, aos filhotes e à Sónia. Traz sempre algumas privações, como é óbvio. 
Estabelecemos algum critério no plano. Havia parâmetros mínimos para serem cumpridos. Foram cumpridos, com maior ou menor dificuldade. No fim disto tudo, só faltava ligar Cascais ao Terreiro do Paço a correr. Já o fiz na totalidade duas vezes, embora antes fôssemos até ao parque das Nações. O percurso é muito bom. Vista espetacular ao longo da costa.
Quando o deixei perto da sua zona de saída, pensei, agora é que é mesmo só da responsabilidade dele. Foi um gosto ajudá-lo a chegar até ali. O resto era com ele.
4h:19m depois, lá estava o homem a cruzar a meta, e a fazer a sua dança de vitória. Um minuto antes cruzou-se comigo e com o meu irmão, onde demos o último incentivo. O melhor que pode descrever o momento, foi o que o rapaz disse aos dois à chegada.
“Quando os vi ali a incentivar, só o que me apeteceu foi chorar”.
O rapaz emocionou-se, era motivo para isso, o dever estava mais que cumprido. Mas não éramos só nós os dois que estávamos ali a puxar. Nós os dois, demos corpo às muitas pessoas que fizeram com que ele chegasse ali. Muita gente orgulhosa pelo rapaz. Onde estou incluído, como é óbvio. Afinal eu fui o padrinho da maratona. Ganda Zuka!
(O próximo é o mano mais velho, deixo aqui escrito, porque ele lê as tretas que eu escrevo. Assim sente-se comprometido!)
Eu não consigo sair de casa sem dar barraca, é qualquer coisa que tenho “colado” à pele. Foi acontecendo desde a Funcheira até ao regresso. Resultado disso? Riso compulsivo!!!
Eu já almocei inúmeras vezes na Cervejaria Portvgália, não fazia a mínima ideia é que, o conceito era nacionalista. Portvgália, é para portugueses, e o resto é paisagem.
Após noventa e cinco por cento dos pedidos estarem servidos, havia um que não havia maneira de vibrar. Como é óbvio, eu sou a pessoa indicada para ir averiguar. Questionei a rapariga que me tinha atendido, o porquê da demora daquele menu. No mesmo momento da pergunta, a chefe de secção tomou conta da ocorrência. Eu não sou má língua, nem de inventar. Mas na minha opinião, a mulher mais parecia uma talhante. Só faltava a carne para cortar. Bem, eu estava ali…
A medo, perguntei pelo menu em causa, e ela respondeu.
“Falta o menu prà espanhola não é ?!
Você não conhece o ditado, “Espanhóis, Algarvios e Burros Brancos. É criá-los, e matá-los!!! Espanhóis são sempre os últimos a ser atendidos…” 
Rematou a senhora.
Eu, natural de Faro, ainda disse entre dentes, “Eu também não gosto nada de Algarvios... Mas a moça  não é espanhola… É portuguesa... Ela só queria o menu,... com o ovo... À  espanhola!!!”
Na Portvgália, está à vista, só Portugal!!!
Boas corridas!


(Apesar de um “floreado” ou outro  que acrescentei ao episódio da Portvgália, ele aconteceu mesmo. Mas sou incapaz, de passar a ideia que fomos mal atendidos, quando não fomos. Antes pelo contrário, o episódio foi  caricato e cheio de diversão. Foi apenas um dos muitos episódios)