quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Bruxelas 2019. A faltar aos pódios, desde 1890...


A maratona do ponto de vista de um atleta de baixa competição!



O início 

“Porque é que não vais fazer a maratona de Lyon connosco.”

Foi mais ou menos assim que começou a maratona de Bruxelas, no Verão de 2018. 
Uma conversa entre mim, o Maurice e o António. O Maurice está casado com a minha prima Cristelle, e o António com a minha prima Maria, vivem em  Lyon. Eles tem um grupo de corrida, “As Charrette”. Grupo que costuma participar em maratonas e trails de longas distâncias. À proposta respondi que já tinha corrido em França, Paris 2016. Aliás, de todas as provas que fiz, é a única maratona que não me importo de repetir. Lyon estava fora dos planos, sugeri Bruxelas porque a nível logístico seria o mais próximo para eles. Houve acordo de princípio, faltava deixar passar o tempo. Mais tarde era afinar estratégias. E uma lesão do Maurice tudo levou… Teve que arrepiar caminho, parar para ver. Ele era o elo da operação… A vida segue o seu caminho. Siga!

Entretanto…

Ao longo do tempo houve várias conversas dentro da alcateia. Para nós esteve sempre em aberto ir na mesma. Até uma última conversa no pós Estocolmo… Reservo, inscrevo-me ou não?! Com a Bárbara a dizer. “Marca já antes que haja outra coisa qualquer”. O Eduardo concordou… Portanto… Siga!

Ir com os miúdos visitar  uma capital europeia já é motivo mais do que suficiente para a viagem. Depois juntava-se o desafio de preparar uma maratona durante o núcleo duro do Verão. Pessoalmente tinha ainda outro foco de interesse, queria criar um paralelismo para 2020. Para o ano,  com os meus tempos, dispenso sorteio na maratona de Berlim, tenho entrada direta.  Berlim é uma das Majors, se puder, quero participar. A prova na capital alemã é um fim de semana antes de Bruxelas. Um hipotético plano de treinos… É ainda mais… VERÃO!!!
Depois de preparar a logística, foi só esperar pela altura de começar o plano de treinos. Não havia dúvidas das dificuldades que iriam aparecer. Foi estabelecer um mínimo, custasse o que custasse. Ficou mais feio quando me inteirei da altimetria do percurso… Mas a sério?! Vou deixar passar o tempo, e mais perto logo vejo… 

Vou ter que fazer um parêntesis…
(São Silvestre A-do-Neves)

Era para ter abordado este tema na publicação anterior. Só que na altura acabei por me esquecer completamente .
A São Silvestre A-do-Neves foi um projeto pessoal, no qual contei com pessoas muito chegadas para o levar avante. Ninguém faz nada sozinho. A essas pessoas, muito muito obrigado. Um agradecimento a todos os patrocinadores, são todos meus  amigos. Seriam incapazes de me negar fosse o que fosse. Um agradecimento à Câmara Municipal e à Junta de freguesia, não faltaram com nada. Um grande agradecimento a todos os participantes, juro que me cheguei a emocionar de tanta felicidade estampada nos rostos. Valeu muito a pena. E por último um agradecimento especial à minha família do Norte. Acho que melhor do que palavras para os descrever, foi o que ficou registado em fotos,  vídeos, áudios e sobretudo ao vivo. Pessoal vocês são os maiores, mesmo!
A decisão de não continuar o evento foi tomada antes da última prova. Havia um senão, a edição que faltava tinha de correr às mil maravilhas. E correu. Baseando-me na minha experiência, acho que temos que saber quando parar. Eu achei que era o momento. Tinha a ambição de que todas as pessoas que me ajudaram a tornar isto possível, ficassem ligadas a algo diferente de tudo o que já foi feito. Diferente para melhor. Acho que foi conseguido.
Não resisto a contar o episódio, no dia que contei ao Eduardo e à Bárbara, acho que em Maio.
“O pai já não vai fazer mais nenhuma São Silvestre A-do-Neves.”
Estávamos a almoçar, eles ficaram com o garfo a meio caminho da boca,  a olhar para mim. Tipo a pensar. “Então… Este indivíduo que é o nosso progenitor, passou-se!!!” 
Eles acompanharam sempre de perto todas as incidências e o respetivo sucesso. Eu depois acabei por lhe explicar o que escrevi nas linhas anteriores.

A preparação

No post anterior acabei por partilhar os três treinos longos que fiz. Escolhi os três percursos mais difíceis de treinos. Castro Verde, Semblana e por fim Albufeira. Tem em comum, zonas de vários kms de subidas e respetivas descidas. Era mesmo para cumprir serviços mínimos acordados.



Treinos técnicos, uma vez por semana quando era possível… Os de recuperação, sempre! A juntar a isso, mais uma corrida ou outra para manter a máquina ligada. Apesar de não correr na areia, os joelhos do menino não se dão bem com o impacto, quanto mais perto da água salgada e das gaivotas melhor. À beira mar só mesmo as deliciosas caminhadas!
Convencer-me a ir correr uma maratona mais tranquilo, sem preocupação de ritmos…. Estou à espera de acontecer… Primeiro tenho que prender o Diabo… O objetivo de correr abaixo das três horas mantinha-se!!!

Nem tudo eram espinhos…

Tinha uma vantagem em relação a muitas outras preparações. Nada de lesões, eu disse isso a tanta gente. Acho que estava a tentar arranjar todos os aspetos positivos para o melhor dos pratos da balança. Mas não haver lesões é mesmo um peso pesado… Disso ninguém tem dúvidas!
O cumprir minimamente um plano de treinos em Agosto e Setembro, que em  princípio me pareceu um grande quebra cabeças, tornou-se normal. Foi apelar ao minimalismo, não me ficar a queixar. Tirando  a brincadeira das publicações no Instagram. “Não é para me gabar, mas… Tou todo partido…”. Ficava mesmo todo partido, mas nada irreparável. Hoje em dia há colas tão boas… Siga!


Bruxelas 

Fiquei surpreendido por ter gostado tanto da cidade. Somos brindados com céu nublado, frio, chuva, uma cidade cinzenta. Acho que no Algarve, temos mais sol num ano, do que Bruxelas tem desde 1814… Mas a multiculturalidade existente, dá cartas. A simpatia está no ar, nisso nada tem de cinzento. Não se preocupem muito com os idiomas estrangeiros. Um empregado num restaurante fala 371 línguas diferentes... Incluindo  a de vaca (Não resisti!!!)
Como é que eu fico quando estou muito irritado? Fico roxo de tanta raiva... Fico a parecer um gorila!!!

Não quisemos ir fazer check a sítios. Era aproveitar o tempo e misturar-se com as pessoas. Terra a terra. Talvez com a exceção do Atomium, que fica um pouco mais deslocado. Mas vamos lá a ver, eu cresci a identificar Bruxelas com aquela estátua. Para mim é a Torre Eiffel belga. Acabou por valer a pena, tirar uma foto ou outra para mais tarde recordar.

Depois uma visita ao centro da cidade, zonas históricas misturadas com o aproveitamento comercial. Roulottes, esplanadas a invadir praças, ruas, becos. Muito boa onda no ar, gostei da aura que se respira.

Tínhamos que ir ver o menino que mija… Pois, não podia faltar. O rapaz urina como se não houvesse amanhã, aquilo deve ser problema de cerveja a mais. Toda a gente sabe que a cerveja obriga a idas extras à casinha. Ele não sei, mas grande parte das centenas de pessoas que fazem lá peregrinação, levavam uma ou outra a mais no bucho… Pela formam como peregrinavam!!!

French Fries, acreditem ou não. A especialidade de um país são batatas fritas. Foram consumidas, e comprova-se que são realmente boas.
Acabo tal como comecei, fiquei admirado de ter gostado tanto da cidade!

A prova 

Na véspera fiz o treino de adaptação ao ambiente, os tradicionais 6 km com a t-shirt da maratona do Porto 2015.

Sou capaz de já ter falado nisto (muitos risos), mas vou explicar outra vez. Eu na maratona do Porto 2015 fiz quatro kms, dos quais não me lembro nada, do 34 ao 38, e os últimos 4 até aos 42, foram de um dramatismo que não lembra a ninguém. A maratona de Bruxelas foi difícil, como irei descrever a seguir, mas comparada com o Porto 2015, nem deu para começar. E fazer uma tatuagem Porto 2015?! Por acaso… Não!
A prova foi um pouco o reflexo da preparação. Se não treinas como deve ser, não podes esperar milagres. Depois o percurso é cheio de dificuldades, esse sim o mais difícil de todos, vou deixar a foto da altimetria. Garantidamente, não é uma prova para “tempos”, nem para iniciantes na distância.
Com a intenção de correr abaixo das três horas, tive que me desgastar muito mais do que se tivesse outro histórico de treinos nos dois meses anteriores. Mas nunca perdi o norte, sofri um pouco mais do que o habitual durante a prova, mas nada de extraordinário. Estou  mais do que recuperado.

Vou fazer um copy paste de uma publicação que fiz entretanto no Instagram. Acaba por ajudar a explicar mais um pouco do  que foi a minha  Brussels Airport Marathon. Fala de classificação, pódios e coisas…


Como é hábito, faço as provas de trás para a frente. A maratona, tal como muitas outras coisas, não é como começa. É como acaba!
Fui apanhado perto do km 2  a passar o pacemaker das 2:59. Só já faltavam 40 km, um nadinha de nada…
A saber agora a classificação, devia de ter mais ou menos 50 atletas à minha frente. Tive a companhia, ainda que por breves momentos, de uns trinta atletas ao longo do resto da prova.
21º da geral, 3º do escalão e 1º português a chegar à meta.
Já faltei aos pódios do escalão no Alentejo, no Algarve, em Lisboa. Faltava agora numa maratona internacional… E sempre pelo mesmo motivo.
Tenho sítios para ir, coisas para fazer…
Mas não está mal a foto, não está mal não senhor!


Às vezes temos de ter mais cuidado com a imagem que passamos às outras pessoas. Faço esta nota introdutória por causa do resto da publicação.

O destaque final fica entregue ao comentário do meu irmão Eduardo, quando se cruzou comigo às oito horas de Domingo, na A-do-Neves.

“Então já cá estás, fizeste grande tempo, ainda dizias que não estavas em forma... Estás cá  com uma cara de esforço…”. 

Acho que o rapaz pensa que o irmão dele  nasceu em Kripton… Mas não foi o caso… Foi mesmo no Hospital Distrital de Faro.

Eduardo, os bons resultados deixam marcas de esforço, não há volta a dar! Sabes porquê?   Porque saem diretamente do... PÊLO!!!

(Forte abraço para o mano mais velho, um dos fãs de primeira linha deste atleta)

Boas corridas!


  • 14ª Bruxelas 2019 2h 55m. Rijeza















sábado, 21 de setembro de 2019

Estágios com desnível negativo, e coisas...



A maratona do ponto de vista de um atleta de baixa competição!

Como já vem sendo hábito, tiro umas peças do Instagram, junto mais uma observação ou outra e arranjo um post para o blogue. Eu tenho que arranjar maneira de não me sentir tão culpado por deixar este espaço às moscas!

O título da publicação pode fazer parecer que o mundo está virado de cabeça para baixo, mas não está. Digo isto, porque por norma, os atletas de alta competição fazem estágios em altitude (muito) positiva. A rarefação do ar, as dificuldades que isso põe aos desempenhos. Treinar e ao mesmo tempo fazer operações matemáticas. Para que o cérebro tenha muito com que se preocupar, logo mais difícil se torna a concentração no esforço. Tipo, saber a raiz quadrada de 549 ao cubo, enquanto se fazem 36 séries de 400 metros abaixo da velocidade da luz… Enfim, coisas triviais…. É mesmo por isso é que eu sou um atleta de baixa competição. Faço as coisas ao contrário. Deito-me de papo para o ar na areia à espera que o treino interiorize... Na altura em que tirei a foto do cabeçalho estava mais ou menos a -4. E… Não “queimei" o telemóvel por um triz…


“Como a maior parte das aventuras, também a  visita à capital Belga começa com uma meia maratona em ritmo moderado. Não raras vezes no percurso hoje utilizado. A meia maratona da Barragem do Monte Clérigo. Quantas vezes já fiz este percurso? Muitas, muitas vezes! Vamos lá a ver, até se justifica. Mandei fazer esta barragem exatamente a 10,5 km de casa. Só para ter uma referência na volta, para esta distância específica, não precisa GPS, 21.095 km. Convém utilizar!
Brussels Airport Marathon, início de Outubro. A parte mais dura do plano, é de 15 de Agosto a 15 de Setembro. Dada a temperatura ambiente nesta altura do ano, tem tudo para correr bem…
Diz-me a experiência, que existem pelo menos seis ordens de razões, que dificultam em muito o compromisso com um plano de treinos, transversal a Julho,  Agosto e Setembro. 1ª muito calor, 2ª  preguiça, 3ª muito calor, 4ª preguiça, 5ª preguiça, e por fim, a 6ª, muito calor!!! Tem ainda um Plus. Em todos os sítios que li sobre o evento, não aconselham a prova a atletas inexperientes, tem 500 metros de desnível positivo (!!!). Afinal, é maratona de estrada ou trail?!?.
É aqui que aparece o diabinho da consciência a gritar, “És um homem, ou és um rato?!?!” Do outro lado está o anjinho, entre murmúrios, muito, muito baixinho. “Não é um homem, nem um rato… É um Lobo, um Lobinho… E tem medo… Miaúfa… É normal...”. Ai os comprimidos…”

Pois, cá está. Se vais fazer uma prova em que o percurso tem imenso desnível positivo. Qual é o remédio? Planície alentejana! Isto nada sai mal por acaso, é planeado!!!


“Meias maratonas... Só quando o rei faz anos. Provas de 10 km… Tive que ir aos arquivos, há quase quatro anos. Apesar de ter sido à beira-mar, os 10 km não são a minha praia, nunca treinei para tal!
A verdade é que fui enganado. O Perneta Cardoso ao saber da minha presença a norte, simulou uma lesão de última hora para me obrigar a participar… Acho que dá para ver pelo nome do dorsal!!!
Numa fase da preparação em que tem havido apenas treinos a rolar, e poucos. Assim sendo, os treinos técnicos do plano da maratona… Estão todos feitos duma só vez!!!”

O menino Carlos tem a mania de provocar estas emboscadas!!! Em dez km, sabem quanto tinha de desnível positivo? 6 míseros metros! Se não fossem algumas partes em passadiço, tínhamos que correr com água até à cintura!!! Aquilo é que foi acumular metros abaixo do nível do mar!!!


“Então a que horas é que começam os dias no Algarve?
Às 7:30, estão dez km feitos, banho de piscina tomado, e minis bebidas… Vai buscar!!! Menino @carloscardoso7392, se queres treinar com o guru dos treinos… Tem que ser de madrugada!!!”

Ainda fizemos alguns metros positivos na corrida, mas depois fomos equilibrar as coisas para dentro de água. Ali à fazer metros abaixo do nível da beira da piscina!!!


“A receber a Dora e o Carlos na toca do Lobo…
Ficaram a conhecer Almodôvar a palmo… O Centro de Baixo Rendimento do atleta de baixa competição, o Santo Amaro, com vista privilegiada para a vila alentejana. Uma volta pela Barragem do Monte Clérigo, a tentar uns dabs. Foto na Ponte Romana, já velhota, quase da idade do @carloscardoso7392 … E para fechar uma visita à pizzaria O Forno. Isto quando é para comer… Aparece sempre mais um. O mano mais velho a juntar-se ao repasto.
Grande cumprimento para esta família do Norte, um irmão e uma cunhada que ganhei das corridas!!! Um dia destes tenho que começar a treinar para a maratona de Bruxelas… Vá, ainda tenho muito tempo, é só dia 6 de Outubro!!!”

Primeiro deixar sublinhado, um gosto enorme em fazer parte desta família. Agora a parte séria. Há vilas alentejanas, que só não são Veneza por um nadinha de nada. Há uma montanha ou outra a tapar a entrada da água salgada por aí adentro… Almodôvar é um caso desses… Então não é!!!


“Não é para me gabar, mas… Tou todo partido!!! Andei a enganar os ossos com uns treinos a brincar durante a semana, para depois isto!
O ano passado tinha tirado foto na rotunda dos porcos em Castro Verde. Estava em falta a não menos famosa rotunda das ovelhas. Castro Verde tem património a sério, mas a vila é muito conhecida por estas rotundas sui generis.
Recebi há pouco uma mensagem, acompanhada de uma foto, do meu esqueleto. “Tivemos momentos bons, momentos menos bons, mas já não dá. Até sempre.” Respeito!”

Durante o plano foi o ponto mais “alto” da corrida. Aqui ainda tive que fazer uns metros de desnível positivo. Foi duro, mas já passou. Tinha deixado em aberto a visita à rotunda das ovelhas há uns tempos, missão cumprida. 


“Os treinos de acesso à pista são tão para enganar o corpinho!!! (Amanhã se calhar a escrita sai mais enviesada…). As formas de ver o entretenimento são as mais díspares. Lembro-me de comprar uma PlayStation ao Eduardo, mais tarde um portátil gaming. O rapaz tem o bichinho dos jogos de computador, tal como o pai tinha na mesma idade. Só fui “derrotado” pelo Tetris. O joguinho tem a mania de se reinventar, nível após nível. Nas restantes máquinas do salão de jogos, com uma moeda dava para deixar créditos para o resto da tarde, para quem quisesse disfrutar.
Mas depois há o minimalismo…
O que dizer do que uma bola pode fazer. E não, não é uma bola de futebol… Na opinião da utilizadora. “A melhor compra de sempre!!!”

Simplesmente uma bola de pilates…


“Não é para me gabar, mas tou todo partido...
Aahhh, as vindimas… Carregar as caixas, moer as uvas, ir correr duas horas pela fresquinha!!! Este ano não foi exceção. Há aquele treino que tem que ser feito no dia das vindimas do mano mais velho. Ainda chego a horas de tirar umas fotos, fazer uns vídeos, ir comer qualquer coisa com os braços de trabalho. Aquela parte dura…”

Este foi um dia de nível zero, não houve desníveis. É extraordinário quando cada um faz aquilo que lhe compete e a vida faz o seu caminho. Muito bom!


“Já não é a primeira vez que escrevo isto. Durante um treino longo intenso, ou um treino técnico, uma das coisas que ajuda a ultrapassar as dificuldades é aquele pensamento. “Amanhã é dia de treino de recuperação, amanhã é dia de treino de recuperação, amanhã…,! Pois hoje foi dia de treino de recuperação!”

Isto é tão verdade… 


“Com o vento que está, deu jeito o plano apresentar no menu 12 km a rolar. Fez-me lembrar tanto a última visita à rotunda das minhocas (vai acontecer brevemente, está atravessada…). Eu nem faço ideia do dinheiro que deixo de ganhar por não fazer referência aos patrocinadores. Só assim ao de leve… A minhas marcas de suplementos, Sagres, Super Bock. Não corro provas sem o boné da Edp/Bic. Meias e calções… Se não for da Asics… Não há prova!!! Adidas Ultraboost o melhor meio de transporte que existe. Auscultadores da Sony, e cada vez mais a Rádio Comercial. Hoje o streaming está ao preço da uva “mijona”, o gasto de dados já não é o que era. Depois há sempre a playlist. Não será estranho os Pearl Jam terem por lá muita música!
Por fim uma palavra para o Clube Atletismo de Lamas, eu nem sei bem o número de zeros que fazem parte do meu contrato…”

Estive a avaliar o que escrevi, safa-se a localização. Estava mais ou menos dez centímetros acima da água da marina… Pouco desnível!!!



“Não é para me gabar, mas… Tou todo partido.
1 litro de água na mochila, uma banana, uns figos secos, umas amêndoas e vamos lá ao segundo round. Atleta versus treino da rotunda das minhocas. Ir a Quarteira e voltar. 35 km de pur... Pura dor. O conjunto de treinos feitos não é suficiente para chegar a um treino destes e levar algum à vontade. Enfim, está feito!
Este treino ameaça tornar-se um clássico. Não sei porquê, mas parece-me que não vai ser fácil recrutar companhia para este evento!!!”

Estavam umas contas por acertar com este treino. Toda a gente sabe que o Algarve junto à costa é uma reta sem desníveis. De Albufeira a Quarteira e não é exceção. Muito plano… Vá, tirando as partes que não são planas!!!

O que dizer do plano ao longo deste Verão?! Houve muita, muita subtração de treinos. Isso ficou logo implícito no primeiro copy do Instagram. Não foi novidade, já era esperado. No entanto deu para cumprir os mínimos ao nível da resistência. A velocidade teve que ficar para segundo plano, não deu para mais. Tentei também não me afastar muito da água salgada, o tal desnível negativo,  para mim é um combustível incrível.  Ainda faltam duas semanas, mas agora é pouco mais do que gerir os dias com mais um treino ou outro com alguma aplicação. As expectativas em relação à maratona são de desnível nulo, nada de stress. Vai ser o que for!

Ao longo deste período tentei sempre não invocar a falta de tempo como desculpa. É um tema a que recorremos geralmente, quando não queremos dar outra justificação. Pelo menos foi isso que me ensinou o padre Agostinho há uns anos. Deixar uma reserva, eu sou agnóstico, mas não me causa sarna as crenças das outras pessoas. Como é óbvio, desde que não se vá por fundamentalismos.

Vá lá umas palavras para o padre Agostinho…
No primeiro encontro de preparação para o batismo de um dos meus afilhados, o Rodrigo, que tinha na altura um ano, eu queixei-me de falta de tempo para as respetivas reuniões que precedem o evento. Resumindo… Levei um sermão de algumas horas em relação à perceção que temos da “falta de tempo”.  Não concordei com tudo, mas concordei com muita coisa. Nunca mais utilizei o argumento falta de tempo da mesma maneira. E como se comprova pela foto, fomos despedir-se do rapaz no outro dia, a caminho da universidade. Já passou algum tempo…



Este ano acabei por comemorar o aniversário dia dezoito de Setembro. Já houve anos que por motivos de agenda tive de alterar a data, este ano não foi o caso, coincidiu!
Vou ter que destacar uma mensagem de parabéns que recebi através de uma publicação com múltiplas fotos no Instagram, na qual fui identificado.

Pois, é isso!!!

Boas corridas!





quinta-feira, 6 de junho de 2019

Luis Lobo, 1º português em Estocolmo. Empenos, chocolate, psicanálise, dilema...

A maratona do ponto de vista de um atleta de baixa competição!

Treze maratonas concluídas, onze delas abaixo das três horas. Quando olho para a coluna lateral direita do blogue, onde estão as fotos das t-shirts com as medalhas, e respetivos tempos, ainda paro para pensar… Mas… A sério?!


Estocolmo 

Vou começar pela cidade. Quem foi a Helsínquia, como eu fui o ano passado, dá a sensação de déjà vu. Muitos sítios idênticos, a organização, o preço da cerveja, pessoal simpático, tudo no seu devido lugar. Estão a ver Marrakesh? Não tem nada a ver!!!
Só uma observação, não há dinheiro físico, moedas  e notas... Só em museus!
Fiquei intrigado com um parque de diversões que encontrei lá. Se tem sido antes da maratona… Se eu sentisse algum osso inteiro no corpo, tinha ido “morrer" um bocadinho naquelas torres. Mas não dava, os ossos estavam debilitados demais. Não fosse perder um fémur ou uma tíbia na descida… Parecendo que não, são peças que dão um certo jeito ao esqueleto!!!


A preparação 

Não me lembro de nada assim, e já tive planos de treinos atribulados, mas nada parecido.
Com o apanhar das canas, e limpeza do recinto, começo a arranjar culpados. Para ser sincero, culpado…
Saio inteiro de Marrakesh, a sacroilíaca esquerda que tanto me tinha apoquentado estava a dar-me descanso. O facto de ter corrido muito tempo com a dor, fez com que sacrificasse os músculos da coxa para proteger a articulação. Mas do alto da minha sabedoria, nada que uns dias de descanso não deixassem tudo cinco estrelas. Foi assim? É capaz de não ter sido!
Chego com dores a Mértola, e a confidenciar que ia apenas à caminhada, não ia forçar. E fui. Durante os primeiros dois km… O resto já se sabe, no pós trilhos, quinze dias sem correr. O que faço imediatamente a seguir? Uso novamente o meu "sábio" conhecimento, no tabuleiro da Ponte 25 de Abril. “Há duas semanas que não corro,  vou só experimentar e depois logo vejo”. No mesmo ritmo que comecei (muito alto), fiz toda a prova, com dores a sério a partir dos quinze km. O curioso é que, no outro dia não tinha dores. Aproveitei para descansar os ossos? Naaahhh, se não há dores, vamos aproveitar, vamos à carga. Até me cheguei a queixar de sobrecarga de km… Amigo, a fatura vem já a seguir… A cervical a dizer ao menino, se calhar é melhor reunires com o teu treinador, há muita coisa a ser mal feita… A velha rábula da manta curta. Se puxas para cobrir a cabeça, ficas com os pés destapados. Não deixei de treinar, mas nos entretantos  fui pôr os ossos no lugar. Tirei por completo a velocidade, zero treinos técnicos, muita corrida de descompressão. Chego a Lagos com ordem de não forçar. Não aconteceu… Não cumpri o que tinha acordado comigo, e tive ainda o desgaste extra da temperatura muito elevada. Nova semana de treinos com pinças. Ainda tinha o longo de trinta e cinco km para fazer. O treino mais importante do meu plano. Claro que tem que haver um equilíbrio no geral, coisa que estava a anos luz. Como é que correu? Muito, muito mal! Só batido pelos trinta e cinco da preparação para Lisboa 2014, uma infernal viagem ao meu Vietname. Casa, Castro Verde, Casa. Desta vez foi na minha suposta zona  de conforto. Quarteira, Vilamoura, Albufeira. Não foi infernal, mas foi muito ruim, mesmo. Como faltavam quinze dias, nada havia a fazer. Se fosse tentar recuperar tempo perdido, só piorava. Agarra-te a uma sapatilha e chora um pouco rapaz… Por essa falta de juízo!!! 
Já agora deixar uma nota para o último treino.
Treino de seis km que faço na véspera, na cidade da prova, sempre com a t-shirt da maratona do Porto 2015 (para nunca me esquecer o sítio, e o dia onde mais sofri nas corridas). Correu cinco estrelas. Ainda deu para fazer uma série e tudo!!! Nunca pior!


O título do post

Desta vez o título, Luis Lobo, o 1º português a terminar a maratona… Veio de fora, uma publicação da revista online de Atletismo. 
O que achei mais curioso? O meu nome por baixo de uma fotografia, numa notícia relacionada com corrida, em que o título inclui Etíopes… Tomem lá… Seus… Quenianos!!! Vá, a palavra "Quenianos", também está no corpo do texto...

Agora a sério, com a devida distância (muita, muita distância) que está o meu amadorismo, com a elite da corrida. Ver aquela conjugação de nomes, deu-me muita, muita vontade de rir. 

Fica a transcrição da notícia.
“Luis Lobo foi o 1º português com 2h54m58s

Os etíopes dominaram a Maratona de Estocolmo disputada no passado sábado ao vencerem em masculinos e femininos. Os tempos dos vencedores ficaram longe das grandes marcas mundiais, numa prova que teve 12.351 classificados, dos quais, 3.555 do sexo feminino (28,8%).
Venceu Nigussie Sahlesilassie em 2h10m10s, seguido de três quenianos. O sueco Adhanom Abraha foi o primeiro europeu ao chegar em 6º lugar com 2h16m48s.
Luís Lobo foi o 1º português ao ser 184º classificado com 2h54m58s.
Em femininos, Aberash Fayesa venceu em 2h33m38s, seguida da japonesa Haruka Tamaguchi a 26 segundos e da sueca Mikaela Larsson a 2m54s. 25 atletas conseguiram tempos abaixo das três horas.
O/a atleta mais velho/a a completar a prova foi uma sueca do escalão +80 anos que fez 6h10m08s. Atrás dela, ainda ficaram mais cinco atletas.”


O percurso 

Aproveito o percurso  para comentar a notícia. “…ficaram longe das grandes marcas mundiais…”.
O percurso não é favorável a tempos rápidos, vou deixar a foto da altimetria. Das provas que concluí, só mesmo Helsínquia tinha mais dificuldade. Sei o que custa um minuto numa maratona. O atleta que ganhou, com o mesmo esforço fazia menos quatro minutos em Sevilha, por exemplo. Sim, não era na mesma nada parecido com o recorde do mundo. Mas Kipchoges, não estão aí ao virar da esquina a correr na “pista" em Berlim. As dificuldades para a elite, só valorizam os tempos dos coxos, como eu!


A organização 

Desde o levantar dos dorsais até que abandonei o Estádio Olímpico de Estocolmo, depois de terminar a prova, nada a apontar.
Os dorsais são imprimidos na hora, se não apareceres, não se gasta papel. Nunca tinha visto tal. Dez balcões de atendimento com as respetivas impressoras, zero tempo de espera, é só dizeres ao que vens…
A feira era mais ou menos do tamanho da Primark de Portimão (a de Helsínquia era mais pequena… Lembram -se? (Risos)).
Asics Stockholm Marathon. Qual era a única marca de equipamentos desportivos??? Pois com certeza, Asics. Com as Metaride em destaque. Garantem que é só calçar, elas fazem o resto, a pessoa até pode estar no sofá a ver televisão e a comer bolachas (“deslarguem” as bolachas, se faz favor). Estavam em promoção. Cá podemos comprar por 250 euros, na feira tinham um preço promocional de 260… Promoções suecas!!! Ainda estou curioso para ver como é que  a Adidas responde à Asics, e à Nike. Depois das Metaride e as Vaporfly 4% Flyknit, respectivamente. As Ultraboost já não chega rapazes. Possivelmente vem aí alguma coisa feita por alienígenas,  só pode!!!
No saco promocional da maratona vinha a entrada na pasta party. Muito bem organizada à  porta do estádio Olímpico. Muita qualidade na papinha. Só já faltava correr…


A prova

Ao meio dia… Pessoal da Suécia, hora de almoço, não percebo… Está bem, já que tem que ser!!!
Com a preparação que relatei, a coisa prometia. Apesar da hora, estava uma temperatura espetacular, não era por aí que ia correr mal. Ainda mal tinha começado, ao km três, uma taquicardia. Em maratonas apenas tinha acontecido em Lisboa 2013, na primeira de todas. Dez minutos à espera em Cascais ao km cinco. Desta vez em pouco mais de dois minutos estabilizou. Volto à pista, numa reta, vejo ao longe o balão das três horas. A sério Luis!!!
Situação que não era experienciada há muitos anos… Olha, é uma referência. Ao km sete estava no grupo, durante uns longos vinte segundos ainda pensei. “E se eu fosse aqui com o pessoal?! Naaahhh, siga. Corrida mesmo de trás para a frente, sem nunca olhar ao relógio. Passo ao pórtico da meia maratona, aí sou obrigado a ver o tempo, 1:27, já tinha ganho três minutos ao balão. Na segunda metade levei 1:27:58, mais culpa da altimetria que publiquei, do que quebra da minha parte. A segunda meia maratona era efetivamente mais difícil.
Como é que teria sido sem a taquicardia? Isso agora não interessa nada. Durante a recuperação no terreno, recorri à minha história nas maratonas, onde já passei muitas dificuldades, recorri a todos aqueles que torcem mesmo por mim, é muita gente, e olhem que eu sei quem são… E fui por ali estrada fora...
Sozinho, não dava!!! Muito obrigado!


A taquicardia 

Só vou voltar a falar disto, porque há muito tempo que não se passava. Não vá algum dos leitores que vão aparecendo, pensar que é algo de grave.
Não há dois casos iguais, a minha taquicardia acompanha-me desde criança. Não está diretamente ligada ao esforço. É um impulso elétrico que faz os batimentos  cardíacos aumentarem mais cento e cinquenta batidas do que o normal. É muito comum num baixar ou levantar brusco. A diferença que acontece, entre quando estou parado, ou a correr, é no tempo que pode levar a estabilizar. Se for parado, dez segundos de serenidade são suficientes. Na corrida, como as pulsações estão mais altas, pode demorar um pouco mais. Fica o exemplo. Estocolmo, dois minutos, Lisboa 2013, dez minutos. Um dos motivos de não fazer mais provas de trail é esse. A diversidade de pisos e respetivas mudanças de velocidade, são meio caminho andado para as taquicardias. E depois tenho que estar ali à espera, à espera… Como diz o meu cardiologista. “Você pode morrer de qualquer coisa, não lhe posso garantir que não é do coração, mas não  tem que ser por causa dessas taquicardias”. E eu respondo-lhe. ”SE... Eu chegar a morrer!!!”
Já tenho registos de outras subidas repentinas das pulsações, mas não tem bem a ver com corrida…


Ferrero Rocher e Mon Cheri

Vou utilizar o  que costumam dizer nas publicidades destes dois chocolates e fazer um paralelismo.
Vem aí o Verão, o Ferrero Rocher e o Mon Cheri vão desaparecer das prateleiras dos supermercados, voltam quando o tempo estiver mais frio. Pois, vem aí o Verão, e eu vou desaparecer de provas até que venha o frio. Corridas a sério, se for caso disso, só no Outono. Um período de merecido descanso. Com corrida à mistura, mas corrida para descansar!
As marcas de chocolate utilizadas, foi só para efeitos de escrita. Porque a minha marca preferida, é Lindt. Com mais ou menos percentagem de cacau, prefiro com mais, mas Lindt. E não é que encontrei uma diversidadezita em Estocolmo…



A consciência e o dilema 

Em criança era comum nas bandas desenhadas, aparecerem nas ilustrações  à nossa consciência. Um anjinho e um diabinho.
No dia a dia, tento que haja um empate de forças. Vá,  nem sempre consigo... Mas tento!!! Quando calço as sapatilhas para participar numa prova intermédia, dentro do plano da maratona, tenho um anjinho e uma “matilha" de diabinhos. Eu não faço ideia de como é que cheguei aqui. Mas pelo menos estou a tentar perceber o que levou a este "trauma". 
Traço uma linha do que vou fazer, ou não, durante a prova. Dura mais ou menos, pouco mais que nada. Ainda mal comecei, sinto os tridentes da matilha a picar-me as orelhas e a arranjar mil desculpas para correr sem reservas. “Não há problema, depois descansas"… “Assim ficas a saber a  gravidade da lesão”… “Vai-se a ver e até ajuda na preparação”… Etc, etc, etc, etc, etc… O exagero de eteceteras, é porque arranjo mesmo mil desculpas a favor dos diabinhos. Mil desculpas!
E é aqui que surge o dilema.
Recorro à psicanálise, faço uma catarse, de forma a ir à essência da questão. Descubro o problema, faço um reset e começo tudo de novo? Dava-me imenso jeito ter anjinhos extra ali à mão de semear, sempre que estou, nessas provas intermédias.
Mas depois há  o reverso da moeda... O que  me leva a ter muitas dúvidas sobre o que fazer...
Para mim, o grande, grande problema... É  que eu nos dias das maratonas, a minha distância de eleição... Preciso imenso do diabo que tenho dentro de mim…

Acho que já escrevi sobre isso, mas nunca é demais lembrar. Atenção… A catarse… Não é aquilo, que os macacos fazem uns aos outros!!!

Boas corridas!